OSWALDO PETRIN
Emprego no campo
A agricultura e a agroindústria ''seguram as pontas'' em tempo de crise. O trabalho na roça sustenta o emprego na cidade, movimenta a economia dos pequenos e médios municípios. Espanta a miséria, que degrada as grandes cidades industriais.
A agroindústria ainda cumpre outro papel estratégico: ontem, saiu novo relatório sobre o bom desempenho das exportações. Na dianteira - e garantindo os dólares que a economia tanto precisa - estão os produtos do campo: açúcar refinado, suco de laranja, o complexo soja, calçados e café, além de veículo de carga e aviões.
Enquanto os produtos básicos tiveram um crescimento de 14,2%, os semimanufaturados, cresceram 4,7%.
Cana/emprego -- Enquanto nas cidades o desemprego está no limite suportável (basta ver o enorme número de candidatos com nível superior para preencher uma vaga de coveiro no cemitário de Londrina), no campo, o corte da cana dá emprego e faz o dinheiro circular no comércio dos pequenos municípios.
Cana/emprego 2 -- Na semana passada, o supermercadista Aparecido Rômbola, de Guaraci (76 km ao norte de Londrina), resumiu a situação com estas frases:
''O que está sustentando o comércio na região é a colheita da cana, feita pela Usina Santa Terezinha, de Maringá; pela Corol (Rolândia), e pela Cofercatu (Porecatu). Abençoada cana, abençoadas indústrias. Não fossem elas o comércio estaria quebrado e a miséria tomando conta''.
Cana/emprego 3 -- Comerciantes de Centenário do Sul, Nova Esperança, Lupionópolis e Cafeara concordam.
O dinheiro da cana muda de mão rapidamente: o trabalhador faz compras, se alimenta e, alguns, ainda guardam um dinheirinho. Não fosse isto, o interior estaria, como as grandes cidades, mergulhado na miséria e na criminalidade. A cana-de-açúcar e as suas indústrias são distribuidores de riqueza, como tudo na zona rural.
Cana/emprego 4 -- Só a Usina de Açúcar Santa Terezinha, dos Meneguette, em Maringá, está oferecendo 9.000 empregos diretos em 24 municípios do Noroeste do Estado, dos quais 5.000 para cortadores de cana. Na política social da empresa, boa alimentação e assistência completa.
Cana/emprego 5 -- Terminada a colheita (corte) da cana, que vai até novembro/dezembro, começa a colheita do algodão. Mas a cana ainda continua gerando trabalho, em menor quantidade.
Cana/emprego 6 -- Rômbola, que também é agricultor e já foi capa da Folha Rural, acredita no plano de Lula para financiar a agricultura, a saída para a estabilidade econômica, porque dá retorno rápido.





