OSWALDO PETRIN
Juros defensivos
Ninguém esperava algo mais ousado do Comitê de Política Monetária do Banco Central, a não ser uma modestíssima redução de 1,5 ponto percentual na taxa dos juros básicos. Toda a trajetória tímida da administração monetária nos últimos anos, e a própria vocação atual do Copom, não sugeriam outra coisa a não ser a manutenção da postura exageradamente defensiva.
Bem que a correção poderia ser maior, derrubando aí uns 3 pontos ou mais. Esta aposta levaria em consideração o ambiente econômico mais que estável, recessivo, que chega a acusar deflação, indicador fiel do fraco nível de atividade econômica.
Mas, não. O BC preferiu a postura conservadora, apesar da angústia da indústria e do comércio; do desespero dos desempregados e da falta de perspectiva do resto.
Como no governo de FHC, o controle da inflação justifica tudo. Pena que a inflação já está sendo controlada pelo estômago.
O País precisa flexibilizar a economia para estimular a demanda agregada de bens, todos os bens, porque só a produção gera emprego. O Consumo interno teria que ser a grande estratégia do governo neste segundo semestre em que as exportações não darão a resposta esperada.
E aí entra outra dificuldade dessa gestão conservadora da economia. Com o câmbio alto as exportações não fluem. Basta acompanhar os indicadores do agronegócio, para não falar dos manufaturados. E, no caso da indústria de bens de capital e de automóveis a situação é ainda pior. Os estoques de carros novos não são desovados no mercado interno porque a recessão (sustentada pelos juros altos) não deixa. E as exportações não decolam porque o câmbio não permite.
Nesse contexto fica difícil entender a comemoração, ontem, de setores do mercado, ao saber da redução. Será que alguém acredita no reflexo dessas redução de 1,5 pontos percentuais nos juros praticados pelo crediário?
Claro que não. O máximo que a mudança de ontem pode sinalizar é com novas reduções nos próximos meses. Daqui até o final do ano são mais quatro ou cinco reuniões. Quem sabe na virada do ano a taxa Selic acumule redução de pelo menos 8% a 10%. Afinal Papai Noel estará presente.
FN62>Soja - Os preços da soja mantiveram ontem o nível mais baixo dos últimos meses. No Porto Paranaguá, que este ano registrou negócios a R$ 40,00/saca numerosas vezes, as indicações de compra não passaram de R$ 35,90/saca. Veja mais na página 2.





