O lucro por um detalhe

Acabou a época das vacas gordas em que as atividades econômicas, incluindo o setor primário, tinham margem que cobriam (compensavam) falhas da administração. Cobriam ou mascaravam os resultados. O lucro, hoje, é igual a detalhes. O administrador da empresa rural tem que estar atento a detalhes porque é num desses detalhes que vai garantir a rentabilidade.
Quem ensina é o professor Célio Marques Luciano Gomes, coordenador de pós da Faculdade do Norte Pioneiro (Fanorpi).
O lucro é tão pequeno que a economia de uma operação - como o sucesso na compra de insumos -, por exemplo, é que vai fazer a diferença no balanço da safra. A atividade econômica trabalha com margem justa, comprimida.
Luciano Gomes deu este recado ontem, ao iniciar o curso de gestão no SENAR/PR (Serviço Nacinal de Aprendizagem Rural), no CTA (Centro de Treinamento Agropecuário) da FAEP, em Ibiporã.
Luciano é instrutor do SENAR em administração e gestão da empresa rural.
Entre os alunos, estão engenheiros agrônomos, pessoal graduado e de segundo grau. Mas eles têm em comum o desafio de administrar uma empresa complexa: o sítio ou a fazenda da família. Muito mais complexa do que qualquer empresa urbana, porque lida com fatores imponderáveis, como clima, e com elementos vivos, como vegetais ou animais.
Portanto, têm que ser competentes. A palavra-cheve é gestão, ou gerência.
O Brasil, nos últimos 22 anos, aumentou em 60% a produção (sem aumentar a área na mesma proporção) o que mostra avanço da tecnologia e capacidade de produção.
No entanto, a renda do produtor, no mesmo período, caiu 40%, ou seja: teve desempenho quase inversamente proporcional.
O produtor, desde início dos anos 90, está sendo convocado a gerenciar o agronegócio, não mais (apenas) a produção da fazenda.
Quem não se der conta disso vai comer poeira, já diziam especialistas cerca de dez anos atrás, nesta coluna. Ou ''Quem não faz poeira, come poeira''.
E Luciano, no seu curso comstuma dizer, no melhor sentido da definição: ''Quem não sabe quanto gasta não sabe quanto ganha''...Palavras da salvação, digo da Santa Gestão.
No mesmo CTA, o SENAR também está ministrando curso para tratoristas, com o instrutor Alcione J. Ristof. Em 9 anos ele deu mais de 450 cursos, que evitaram acidentes de trabalho, economizaram combustíveis, aumentaram a vida útil da máquina, entre outros ganhos. (Folha Rural do próximo sábado).

mockup