OSWALDO PETRIN
Limiar da recessão
O que a população economicamente ativa vem sentindo há pelo menos três meses nas mais diversas formas - uma forte recessão e um clima de incerteza que inibe qualquer gasto ou investimento -, o presidente da Fiesp manifestou ontem: os efeitos da recessão. O sr. Lafer Piva, disse que estamos no ''limiar'' de uma recessão - eufemismo para dizer que a economia está vivendo forte crise.
Embora tarde, o dirigente reconhece. Menos mal. Pior é o sentimento dos gestores da economia, entre eles o ministro Palocci, da Fazenda, que disse, dias atrás, que a economia vai bem e está pronta para crescer.
Só não falou em que direção está indo.
Malan, da era FHC, também apresentava esses ''rasgos de inteligência''. Escondia-se, porém, no tecnicismo do economês e dos índices que - embora reais quanto a sua forma -, em geral falseiam a realidade prática, porque são frios e não expressam o cotidiano das pessoas. E porque são oficiais, do governo.
Mas, não é sem razão que o líder dos industriais tenha identificado o ''limiar'' recessivo. As mesmas agências que reproduzem suas declarações também noticiam um dado do IBGE apontando queda na produção industrial de 2,1% no mês passado.
Os números que inspiram o presidente da Fiesp, porém, são outros. Além da crescente queda da atividade econômica, a indústria apontou novo aumento (0,30%) no nível de desemprego.
Indicadores certamente não faltam para expressar uma fase de extrema dificuldade.
Leilão/milho - Nem a interrupção da colheita da safrinha, provocada pela umidade, conseguiu elevar o preço do milho. Ontem, a Granoeste, corretora de Cascavel, disse da expectativa do mercado com relação aos contratos de opções, para melhoar os preços. São necessários, defendeu.
E, à tarde, fonte da Conab informou a compra de 400 mil toneladas de milho do Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás para recompor os estoques do governo.
Opções - A Conab também vai lançar contratos de opções para 2 milhões de t de milho. O número é modesto comparado ao tamanho da safrinha, 10 milhões de t. Mas deve aliviar o mercado.
Conillon - O valor à vista do indicador do café conillon calculado pela Esalq ficou ontem em R$ 114,96 para a saca de 60 kg (+ 0,93%). Em dólar, o valor ficou em US$ 40,31/saca (+ 1,05%).
Arábica - O valor à vista do indicador do café arábica calculado pela Esalq ficou em R$ 164,21/saca (+ 0,39%). Em dólar, ficou em US$ 57,58/saca (+ 0,51%).





