OSWALDO PETRIN
Durou pouco
O mercado físico da soja no Paraná, ontem, chegou a esboçar certa reação ameaçando romper um longo período de apatia, diante de uma elevação do dólar que chegou a ultrapassar a marca dos R$ 2,90 no meio do dia. Mas foi efêmera essa alta, caindo no final do expediente para R$ 2,870/2,875 o comercial; R$ 2,880/2,970 o paralelo, e R$ 2,830/2,980 o turismo.
No Oeste e Norte do Paraná houve ''ameaça de oferta'', logo inibida. No Porto de Paranaguá, alguns lotes chegaram a ser negociados mas a oferta máxima foi R$ 39,00 e não os R$ 40,00 da semana passada.
A economia brasileira está perdendo fortunas por falta de um ajuste cambial. Empresários do setor exportador defendem um ajuste técnico, se o governo não quiser virar o ano com a economia em forte recessão. Um ajuste agora vai transparecer daqui a três meses.
E o empresário do setor cerealista, José Donizetti Pitolli, fez a seguinte comparação para mostrar o quanto a economia está perdendo com o dólar ''superficialmente baixo''.
Ao câmbio atual, se temos US$ 11,70 numa saca de soja, logo nós temos R$ 1,17/saca a menos no bolso do produtor. Jogando isso para toda a cadeia do agronegócio, a perda vira um bola de neve.
Agora, com um câmbio a R$ 3,00/US$ 1,00, a diferença de 10 centavos de reais num dólar, multiplicada pela quantidade de soja que está por ser comercializada, também somaria fortunas.
Esmiuçando outro exercício tem-se: soja a US$ 13,27/saca - com base no fechamento de ontem da Chicago Board of Trade (US$ 6,0175/bushel) e um câmbio a, digamos R$ 2,90, temos aí bem mais 10 centavos de real/dólar do cálculo acima. Para quem tem mais de 38% da safra para ser comercializada, o valor é muito alto.
Com o Euro - O dólar foi desvalorizado perante o euro em 12%, quando da guerra no Iraque. Se igual percentual for jogado sobre o real, o dólar hoje teria de estar valendo 3,23 e não 2,89.
Comparando com o Euro, a saca de soja a US$ 11,70 representa uma perda maior: R$ 3,97, considerando aqui a desvalorização de 12% do dólar diante do euro.
O produtor norte-americano agradece. Com o deságio do dólar seu produto se torna competitivo.
Na esteira da paridade em baixa, outro perigo: fica fácil importar trigo. Embora a indústria moageira nacional não precisa disso. Afinal, pagando juros internacionais (comparados às taxas brasileiras) e contando com prazos generosos, ela não chega a se preocupar tanto com a variável câmbio.





