OSWALDO PETRIN
Desaceleração do campo
A redução nas exportações previstas para o segundo semestre deste ano (matéria divulgada ontem neste jornal) vai atingir em cheio o agronegócio. Embora a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) diz que não está certa disso, a perda é inevitável, segundo empresas de consultoria na área de mercado. Ela não está associada à receita bruta das importações - um problema da economia e do governo -, mas vai 'pegar' na receita de cada um, através dos baixos preços nos mercados internos e externos.
Assim, o lucro da próxima safra ficará (também) na dependência da redução dos custos.
Pode ser a desaceleração de um excelente período de mercado, que garantiu a boa performance do setor nos últimos três anos. Exemplo disso é o superávit do agronegócio no semestre, quase 49% sobre o do ano passado, em igual período (veja neste caderno de Economia).
Outro exemplo é a baixa inadimplência. Apesar da enorme dívida dos cafeicultores que, além disso ainda vão amargando o terceiro ano de preços baixos, a agricultura como um todo apresentou, no primeiro semestre, o seu mais baixo índice de inadimplência (menos de 1%).
Custo/pecuária -- A CNA informou ontem que no primeiro semestre os pecuaristas enfrentaram forte aumento dos custos de produção. Ao mesmo tempo receberam menos na venda de animais. A elevação das despesas superou a inflação média, reduzindo a renda do setor.
A pecuária é responsável por exportações de US$ 1,1 bi em 2003.
Ao considerar o mercado de Mato Grosso do Sul, por exemplo, os custos de produção subiram 10% no semestre e o preço pago pela arroba caiu em 10%.
Estudo sobre o assunto será apresentado hoje.
Transgênicos lá -- Estimativa do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda), de 30 de junho, mostra aumento de 10% na área plantada com organismos geneticamente modificados (OGM) no país em 2003.
A área da soja deve crescer 2 milhões de ha, chegando a cerca de 23,8 milhões de ha nos EUA. Do total plantado, 81% deve ser de variedades transgênicas (75% em 2002).
Milho - Se o Brasil importar milho dos EUA é bom saber: o milho modificado (incluindo as variedades resistentes a insetos e tolerantes a herbicida) deve representar 40% da área cultivada (34% em 2002).
Site do USDA: http://usda.mannlib.cornell.edu/reports/nassr/field/pcp-bba/





