Oswaldo Petrin
-Amanhã, na reunião da Câmara de Comércio Exterior (Camex), o Ministério da Agricultura vai sugerir pelo menos três alterações no sistema de importação de leite em pó. Uma das sugestões é a suspensão do registro automático (norma vigente no Siscomex), que autoriza a abertura do mercado toda vez que os indicadores do governo apontarem esta necessidade. Este sistema será substituído por um mecanismo que o governo vem chamando de anuência prévia do setor produtivo e do próprio Ministério da Agricultura.
-Repercute no Ministério a preocupação do setor privado (leia-se pecuária leiteira) contra as importações. Mas o ministro interino, Ênio Marques, está admitindo que as ferramentas de que o governo dispõe atualmente não são suficientes para garantir o controle do produto importado. As empresas importadoras apenas registram que estão comprando determinada quantidade de leite, e não é feita uma avaliação para se saber se o estabelecimento tem capacidade de processamento ou armazenamento compatível com o volume comprado.
-A outra proposta é o aprimoramento dos controles internos de liberação aduaneira, hoje também em regime automático. Em agosto deste ano a fiscalização apreendeu em São Paulo, pelo sistema de amostragem, leite em pó com guia de ração animal que estava sendo empacotado e vendido para consumo humano.
-O ministro interino, Ênio Marques, em entrevista à repórter Mariângela Herédia, da Agência Estado, observa que o leite é um produto sensível e necessita de maior atenção em face dos indicadores que vêm sendo apresentados ao governo pelo setor privado. O ministério levará também à reunião técnica da Camex uma sugestão de aprimoramento do programa externo de fiscalização de estabelecimentos. As indústrias autorizadas a vender leite para o Brasil foram aprovadas pelo ministério há seis, sete anos, e precisamos fazer novas avaliações, afirmou Marques.
-O Brasil produz cerca de 20 bilhões de litros/ano, dos quais 12 bilhões de litros de produtores organizados e fiscalizados. As importações correspondem a cerca de 15% deste total. O restante dos lácteos que complementa o consumo brasileiro, de cerca de 23 bilhões de litros anuais, não é oficializado.
-Ao mesmo tempo em que busca um controle mais efetivo das importações de leite, o Ministério da Agricultura está iniciando um programa de melhoria da qualidade do produto interno, com o objetivo de mudar radicalmente o sistema de produção de leite no Brasil. O Dipoa enviará, durante esta semana, a cerca de 100 representantes dos setores de indústria, distribuição e comércio do leite, proposta de anteprojeto do Programa Nacional da Qualidade do Leite, que será discutida no final de novembro, durante encontro no Centro Nacional de Pesquisa de Gado de Leite em Juiz de Fora (MG). Preços
Os preços recebidos pelos produtores aumentaram 1,14% na primeira quadrissemana do mês, segundo levantamento do Instituto de Economia Agrícola (SP). Em setembro, os preços ficaram estáveis.
Preços 2
O grupo dos produtos olerícolas foi o que registrou a maior alta, com
16,3%. Os grãos, mais o café, subiram 7,38%. Os produtos vegetais aumentaram 3,03%, mas os animais baixaram 3,6%.
Milho/feijão
A alta dos preços dos grãos começa a caracterizar o período da entressafra e as reduções das áreas cultivadas com feijão e milho. Isso deve acelerar a recuperação do preço desses produtos (Agência Folha).
Plantio Direto
Hoje, às 13 horas, na Estação Experimental do Iapar, Tarde Prática de PD, para técnicos e pequenos e médios produtores de soja. Serão apresentadas novas técnicas e equipamentos disponíveis no mercado. (043) 374-2343 e 326-1411.
Prognóstico
Nossa matéria principal: cada analista tem um número para a safra 97/98. A Conab pretende divulgar no próximo dia 23 a primeira estimativa oficial, com base no levantamento da intenção de plantio.





