Deflação sem feijão



A deflação não é uma característica de economia estável, sem inflação. No caso do Brasil, ela deixa entrever a falência do consumo, a falta de liquidez da economia das pessoas e do comércio.

A deflação é a economia em marcha à ré.

A ruptura entre um comportamento inflacionário para uma situação de deflação, sugere recessão - isto é ausência de atividade econômica - ou correção de rota de preços mal administrados. As duas coisas correm em paralelo.

Portanto, a deflação constatada nos últimos dois meses pelos índices aferidores de preços, como o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) da Fundação Getúlio Vargas, não merece ser comemorada, ao contrário do que sugerem os discursos do ministro Palloci, da Fazenda.

O IGP-M de junho apresentou queda de 1%, o maior recuo de preços registrado desde junho de 1989, época de hiperinflação no final do governo Sarney, quando o índice foi criado.

Há deflação porque os preços (dos bens de consumo não duráveis, semi-duráveis ou duráveis) estão recuando, depois de um ano e meio de altas sem controle, puxadas pelas tarifas administradas pelo governo.

São bens de consumo que não têm consumidores. Os preços subiram demais e os salários e o emprego são de menos.

Não basta que a inflação recue. Não basta a estabilidade do câmbio. Não basta sequer reduzir os juros. Falta giro na economia das pessoas, para que o empório da esquina venda mais pães e alface e chame de volta aquele funcionário dispensado no começo do ano.

O resto é discurso.

Uva/indústria -- Começa agora, em julho, a distribuição, pela Corol, dos porta-enxertos para os produtores fazerem o plantio da uva em local definitivo. Ano que vem será feita a primeira colheita de uva, mas a safra comercial ainda demora entre dois e três anos. É uma uva tinta, rústica, voltada para a produção de sucos. Em toda a região serão plantados 250 hectares.

Ruim para o milho - Uma notícia nada agradável para quem pretende plantar milho na próxima safra de verão. Está confirmada uma colheita de quase 10 milhões de toneladas (9,8 milhões) de milho safrinha.

O milho é o destaque dos dados de safra que o IBGE divulgou ontem. É a estimativa de uma produção recorde de milho neste ano. A safra de verão deverá somar 34,5 milhões de t. Somada com a safrinha chega-se 44,3 milhões de t.

No caso do milho, números altos são fator extremamente baixista. Ainda que, ao longo do ano a estatística seja de equilíbrio entre oferta e demanda.

mockup