OSWALDO PETRIN
Juros conservadores
A ridícula redução de meio ponto percentual na taxa básica de juros (que decepcionou de ponta a ponta o mercado, as instituições e até um executivo do
Citybank) confirma aquilo que temos observado desde o início do ano: o atual governo, como os anteriores, não tem criatividade para conter a inflação de outra forma a não ser lançando mão de instrumento de política monetária, no caso as taxas de juros.
Ninguém, com nível razoável de informações sobre o cenário econômico, concorda com a manutenção de taxa tão alta, agora 26% - ainda que a decisão prenuncie uma temporada de baixa, como tentam amenizar setores do próprio governo.
O medo da evasão de capital é tanto na verdade evasão de investimento especulativo que o governo está arrumando um problema doméstico, de gestão. A recessão vai reduzir a arrecatação, que vai rebater em déficit, em dívida interna e outros consequências.
Com desemprego em alta e tantos outros inibidores do consumo (enfim, não faltam indicadores sociais para expôr a miséria da população), não serão os juros básicos, e por consequência os de mercado, que vão controlar a inflação. Nem é esta a preocupação do governo. Para haver inflação é preciso que haja consumo. Esse, decididamente, não é o caso.
O medo é da fuga do investimento especulativo. A inflação é bote expiatório.
A propósito, pergunta-se: a taxa selic que prevalece, 26%, não é a mesma de fevereiro, quando se projetava inflação anualizada de 20%, com direito a arrepiu na espinha?
Ocorre que agora o IBGE projeta um IPCA de menos de 8%. Corrigiram a trajetória da inflação e não compatibilizaram a dos juros. Viva o capital financeiro.
Juros altos não interessam a ninguém. Ou, pelo menos a ninguém do setor produtivo que precisa exigenar a economia. Seria espantoso se nesse momento alguém conseguisse encontrar argumentos para justificar a postura medrosa do Comitê de Política Monetária. E do governo.
Leilão O cafeicultor não aposta no mercado cafeeiro, disse ontem o comerciante Marcos Bacceti, com base no ágio do leilão. O leilão de contratos de opção de venda de café, ontem, com exercícios em setembro e em novembro vendeu bem: 92% dos 720 mil lotes ofertados pela Conab. Nos contratos de setembro, o ágio chegou a R$ 7,47. Nos de novembro, a R$ 6,00.
Boi O preço de R$ 53,00/arroba foi pago ontem em pelo menos cinco das principais praças do Paraná: Ponta Grossa, Maringá, Guarapuava, Paranavaí e Campo Mourão. Isto sugere que a recuperação do preço acontecerá antes do prazo tradicional.





