OSWALDO PETRIN
Plano de crédito
As medidas anunciadas ontem pelo governo não são um ''plano de safra''. Trata-se da intenção do governo com relação ao volume de recursos que pretende disponibilizar para a próxima safra de verão, nas inúmeras modalidades.
O ponto positivo é a manutenção da taxa de 8,75%.
O incremento de 25,8% sobre os valores da safra anterior não deve empolgar muito porque aquele dinheiro, além de insuficiente, não foi encontrado. Recentemente, a Confedração Nacional da Agricultura (CNA) divulgou pesquisa sobre o acesso ao crédito. Poucos conseguiram empréstimo a juros diferenciados nos três últimos anso do governo FHC. Muitos produtores foram jogados ao mercado financeiro e contrataram crédito a taxas supeiores a 18%.
Também é preciso observar se neste volume de R$ 32,5 bilhões não estão incluidos os contratos em andamento, com parcelas a serem liberadas.
Uma coisa é certa, e o governo deve ter claro. Se em anos anteriores, o equilíbrio do mercado e os bons preços ao produtor reduziram a procura pelo Empréstido do Governo Federal (EGF), na próxima safra este será o ponto nevralgico do abasecimento.
Crise do milho -- Vejamos o caso do milho. Vai ser impossível produzir sem um bom custeio. Mas vai impossível sobreviver sem o EGF. E esse é o momento em que o milho mais necessita de estímulo.
Com o bom mercado da soja, plantar milho será um ato de herísmo. O milho ficará restrito à agricultura menos desenvolvida, de baixa produtividade.
Portanto, se não quiser enfrentar uma das maiores crises de abastecimento, ao que vem, o Ministério da agricultura que trate de criar um programa de fomento ao milho.
Não vale dizer que, em havendo redução de área, a oferta será menor e o preço vai subir, premiando com bons preços aqueles que plantarem. Na hora de colher e comercializar - por menor que seja a safra -, os preços serão aviltados porque o produtor fica a mercê da indústria nacional. Ao contrário da soja, o referencial não é a Bolsa de Chicago, mas a indústria moageira.
Se quiser produção de milho o governo terá de fixar um bom preço de garantia que leve em conta o custo de produção e uma razoável margem de lucro para o produtor. Do contrário, o milho perderá os bons agricultores profissionais, aqueles da escala e da alta produtividade. Os médios vão para a soja de carona e os pequenos vão buscar a diversificação. As médias de produtividade vão desabar e a qualidade também.





