OSWALDO PETRIN
O (in)fiel da balança
O equilíbrio da economia, em qualquer regime, não pode prescindir de um bom saldo comercial, que garanta reservas e que reduzam a vulnerabilidade interna em relação aos riscos da economia mundial, manifestados pelos chamados ataques especulativos ou na fuga de capital e investimentos externos.
Isto é elementar.
No entanto, o Brasil faz do saldo da balança uma busca obcecada porque tem que perseguir dólares no mercado externo. Acaba esquecendo que, no longo prazo, o chamado saldo positivo da balança comercial tem seu preço.
Vira e mexe os políticos e os técnicos que estão no governo comemoram a redução das importações e o aumento das exportações. Ontem mesmo o Ministério Indústria e do Comércio divulgou dados desse saldo parcial.
Mas o fiel da balança não pende de graça para o lado interno e tudo tem seu preço. Ao reduzir as importações muitas indústrias (farmacêutica, de equipamentos hospitalares, do agronegócio, etc) podem estar abdicando de instrumental que necessitam para o bom desempenho de sua produção. São eventualmente equipamentos não encontrados na indústria de bens de capital de base aqui dentro do País. Ou simplesmente não têm similar nacional.
Ninguém discute que a prioridade, para países emergentes ou endividados, é buscar superávits.
Porém, tal como a deflação (principalmente aquela decorrente da falta de consumo), a redução das importações, não é necessariamente, sempre um bom indicador. Ela simplemente está expressando a ausência de compra de um ou mais itens. Alguns dispensáveis. Outros imprescindíveis. Este é o preço.
Isto também vale para a informalidade. Ela sustenta a economia em crise. Mas não se sustenta. Informalidade é ausência de tecnologia.
Rótulo/café -- O vice-governador e secretário da Agricultura, Orlando Pessuti, recebe hoje, às 10 horas, o presidente da Associação Paranaense de Cafeicultores, Ricardo G. Strenger. Assunto: legislação que trata da rotulagem do café torrado e moído. Tema polêmico.
Rótulo/Pessuti -- Quando deputado, Pessuti criou uma lei que moraliza o mercado e beneficia a produção e a indústria - que trabalha com profissionalismo, sem misturas que depreciam a mercadoria. Os consumidores são os grandes beneficiados pela lei (que dirigentes da indústria não vêem com simpatia).
Strenger/Arábica -- Strenger está mesmo determinado a criar a Associação Brasileira de Café Arábica, para defender mercado para esse produto. A proposta sai do Paraná com apoio de grande número de produtores e, segundo Strenger, tem a simpatia de mineiros e paulistas. Mas não é simpática à velhas ''lideranças'' do setor cafeeiro, que temem perder espaço. Pura ciumeira.





