OSWALDO PETRIN
Ducha fria
A queda do dólar ontem (comercial recuou 2,16%), foi uma ducha fria nos preços da soja no mercado interno que vinha reagindo ''gradualmente'', levando em conta outras variáveis, entre elas o andamento da safra norte-americana. A valorização já acumulava mais de 6% no mês. O mercado demorou para reagir, mesmos sustentado (também) pela Bolsa de Chicago. A reversão ocorreu justamente no momento em que o mercado ameaçava reagir às informações ''altistas'' como renovação de contratados de importação da China.
Maiores quedas ocorreram em Cascavel e no Porto de Paranaguá.
Os analistas apostam em nova reação da moeda norte-americana na virada do mês. Se isso não acontecer, o mercado permanecerá apático durante longas semanas. Altas significativas só no segundo semestre.
Preços/tendência -- Na próxima segunda-feira, dia 2, às 20 horas, no Sindicato Rural de Cambé, o analista de mercado Fernando Muraro Júnior, da Agência Rural, de Curitiba, falará sobre tendências de mercado da soja e do milho.
Também haverá análise do mercado para o trigo, por Nelson Kyoshi Okimura, de
Londrina.
Muraro/safra -- Fernando Muraro previu ontem que a safra brasileira de soja 2003/04, deve atingir 56,8 milhões de toneladas, crescimento de 15% sobre a safra deste ano (49,4 milhões).
Muraro 2 -- Para atingir essa meta, o tempo tem que correr bem. Haverá um aumento de produtividade de 6% e expansão da área de 8%.
Predatória -- A imagem das indústrias moageiras de milho não é nada simpática junto aos produtores. O setor é acusado de se aproveitar das condições desfavoráveis para aviltar os preços. Ontem, um corretor do Norte do Paraná disse a este jornal que ''se não fossem as possibilidades de exportação, a situação da lavoura seria trágica''. A comercialização é predatória, segundo o cerealista.
Depender das indústrias é a pior coisa do mundo para o agricultor.
Área menor -- Se a situação não mudar, muitos produtores estão dispostos a reduzir sua área de milho na próxima safra de verão. As previsões apontam para uma oferta maior que a demanda. Se a área for mantida não há exportação que sustente os preços. Assunto da Folha Rural deste sábado.
Boi gordo -- Período de baixa da arroba está perto do fim. O mercado ontem foi, novamente, ''alimentado'' por notícias sobre aumento das exportações, por conta da vaca louca do Canadá que perdeu temporariamente fornecimento para os Estados Unidos. Por enquanto, os preços permanecem baixos (ver indicadores na página 2).





