A farsa do crédito
a 8,75% ao ano



Financiamento de custeio a 8,75% ao ano não existe. Ou quase não existe, garantem produtores. Quem encontra crédito com essa taxa, não consegue mais do que 60% do que precisa. Os 40% restantes, vão custar 1,1% ao mês.

Essa taxa, anualizada, encosta no preço do dinheiro no mercado - inviável economicamente, e injusto social e politicamente, num país que importa trigo, de vários países; importa arroz, do Uruguai, e feijão da Argentina...que só produz para vender ao Brasil.

Dinheiro a custo de mercado (considerando a voracidade do mercado financeiro no Brasil) é uma punição para quem se propõe a produzir alimentos - e enfrentar outras adversidades imponderáveis, como a do clima.

O presidente do Sindicato Rural de Campina da Lagoa (100 km ao sul de Campo Mourão), o engenheiro agrônomo Favarão, faz essa constatação baseada nos associados da sua entidade. Mas, segundo outros agricultores, a dificuldade de acesso ao crédito é generalizada.

Por coincidência, ontem a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) divulgou pesquisa em que confirma as distorções do crédito, apontada por Favarão. (Veja nesta página e na Folha Rural de sábado).

Contrato de opção -- O mercado cafeeiro já não precisa da especulação em cima do fator clima para alavancar preços. O governo divulgou ontem à tarde as regras dos contratos de opção de venda para os primeiros dois leilões, que serão realizados no próximo dia 11 de junho pela Conab. Serão lançados 10 mil contratos para 1 milhão de sacas, sendo 720 mil de arábica e 280 mil de robusta. (Detalhes nesta página).

Hoje o mercado deverá avaliar o impacto da medida e saber se ela vai ou não tirar o setor do sufoco.

O leilão vem para ajudar. Ninguém estava apostando na adversidade da geada, mas era a única ''alternativa'' para mexer com os preços, os mais baixos em oito anos.

O setor estava carente de notícias boas. Só havia notícias ''baixistas'' - como diz o mercado -, e para complicar, dias atrás, o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, ainda previu uma safra de 55 milhões na safra 2004/2005. Por conta dos números superestimados arrumou uma briga com os produtores.

Soja/dólar -- Com o dólar encostado nos R$ 3,00/US$ 1,00 e a Bolsa de Chicago fechando em alta para os contratos no curto prazo, os preços internos da soja também reagiram ontem. Em Cascavel, a saca de soja é negociada no mercado disponível a R$ 36,50, ante R$ 35,00 observado no final da última semana. No porto de Paranaguá compradores apresentavam interesse ao redor de R$ 40,00/saca para entrega imediata. O contrato para julho próximo, na Chicago Board of Trade, encerrou o pregão a US$ 6,305/bushel (US$ 13,90/sc de 60 kg).

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