OSWALDO PETRIN
Contratos inócuos
A cafeicultura, com preços baixos há pelo menos três anos - com algumas exceções que duraram pouco tempo - apostou tudo nos leilões de opção como mecanismo de garantida de preços, enquanto o mercado não reage. A decisão veio mas não agradou a todos. Se as indústrias estavam gestionando contra esse mecanismo - que provoca alta dos preços da matéria-prima -, naturalmente ganharam a queda-de-braço.
Os valores dos contratos de opção para o café lançados ontem pelo Governo não cobrem os custos de produção do setor e prejudicam a comercialização da atual safra, depreciando cotações nas negociações entre produtores e compradores privados.
A informação foi dada ontem pelo presidente da Comissão Nacional de Café da Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Roberto Puliti. Para uma saca de café arábica (60 kg), o governo oferece valor de exercício de R$ 190, em contrato com vencimento em setembro; e de R$ 195, em novembro.
O custo de produção de uma saca de café arábica é de R$ 196 na atual safra, conforme a Embrapa. Para Puliti, os valores dos contratos de opção são baixos e geram forte instabilidade na comercialização.
O setor produtivo havia recebido recentemente a indicação do Governo de que o preço de exercício seria de R$ 205 por saca de café arábica, para contratos com vencimento em setembro.
Ao ser considerada a inflação até o exercício das opções (em setembro e novembro), o custo de cada saca de café oscilará entre R$ 220 e R$ 225, bem abaixo, portanto, do que será recebido pelo produtor que firmar contrato de negociação com o Governo.
A Conab oferecerá em junho contratos de opção para três milhões de sacas de café (2,2 milhões para o tipo arábica e 800 mil para o tipo robusta). Para o café robusta, o valor de exercício será de R$ 105 por saca, para contratos que vencem em setembro; e de R$ 107 por saca, em novembro.
A atual safra brasileira de café é estimada entre 28 milhões e 31 milhões de sacas (contra recorde de 47,2 milhões de sacas da safra passada). Para a Comissão Nacional do Café, a queda da oferta era fator que sinalizava claramente a possibilidade de serem aplicados melhores preços nos contratos de opção.
O Brasil inicia a colheita da nova safra de café com estoque estimado em 20 milhões de sacas. O consumo interno anual é de 14 milhões de sacas. O ajuste entre oferta e demanda nacional e potencial de exportações é outro fator que deveria ser considerado pelo governo na fixação de melhores preços das opções de café.





