OSWALDO PETRIN
BC já controla o câmbio
A pequena alta do dólar ontem - forçada pelas compras do Banco do Brasil que interveio no mercado de forma sutil e disfarçada - não foi suficiente para reveter a tendência dos preços da soja. No Oeste do Paraná, alguns produtores esboçaram reação, mas continuam dispostos a reter o produto à espera de melhores preços.
Embora alguns setores do governo insistam que não haverá intervenção no câmbio, o comportamento da moeda foi alterado ontem por conta da incursão do BB. Consequência disso, foi a interrupção da queda da moeda norte-americana que completaria o quinto dia consecutivo.
O dólar comercial fechou em alta de 0,90%, a R$ 2,89. A presença do Banco do Brasil na compra de moeda o dia todo provocou rumores de que poderia estar havendo uma intervenção branca do BC ou do Tesouro no câmbio à vista.
Intervenção branca ou indireta, seja qual for a semântica utilizada, o fato é que o Banco Central está monitorando o câmbio mais de perto, segundo especialistas em mercado de commodities, que tem tudo a ver com isto.
Possivelmente esteja havendo pressão do setor exportador. Verdadeira ou falsa, esta hipótese anima um pouco o mercado da soja e da carne.
No caso da soja, o câmbio deixa de ser o obstáculo para que o mercado interno acompanhe seu verdadeiro parâmetro, a Chicago Board of Trade (que ontem encerrou em nova alta).
E como é bom para o produtor operar no vácuo da Bolsa de Chicago. Os recordes de preços registrados pela soja nos últimos dias provocaram também um expressivo volume nos negócios. Preços recordes, volumes aquecidos e uma mudança no sistema de liquidação que a Bolsa estava promovendo endoideceram o sistema, segundo a FNP. A disparidade cambial impediu que o mercado brasileiro participasse desse movimento.
Já no caso do boi, a valorização das exportações é a esperança de uma reação mais rápida nos preços internos que vêm recuando desde abril. Sem nenhum fato como este - que os setor chama de notícia altista -, os preços só voltam a reagir a partir de julho/agosto.
Juros Ao se preocupar com um câmbio equilibrado (abaixo dos R$ 3,00/US$ 1,00, mas equilibrado), o governo está sugerindo que manterá postura conservadora também com relação aos juros básicos. E o Comitê de Política Monetária (Copom) deve manter os 26,5% ao ano, na sua próxima reunião. A conclusão é que a equipe econômica não está totalmente convencida da estabilidade.





