OSWALDO PETRIN
A ''previsão'' de RR
O café já está no fundo do poço e não precisa que o ministro Roberto Rodrigues, da Agricultura, dê sua contribuição para prejudicar ainda mais a situação dos produtores no mercado. Basta a pressão da Abic (representante das grandes indústrias) que gestiona para protelar o leilão de opções.
Este, em resumo, é o sentimento da Apac (representante dos produtores) sobre o ''palpite'' do ministro que apontou, dias atrás, uma supersafra de café.
A futurologia irritou tanto que a entidade enviou uma ''carta aberta'' ao presidente Lula.
Depois de explicar que o mercado cafeeiro é sensível e costuma reagir à notícias sobre previsões, a carta - assinada pelo presidente da associação, o produtor e médico Ricardo Gonçalves Strenger - afirma:
''O Ministério da Agricultura tem que lutar pela sustentabilidade do produtor. Não podemos admitir que o senhor ministro da Agricultura venha a público dizer que a safra de 2004 será de mais de 50 milhões de sacas, segundo fonte de um jornal especializado em café.
''A afirmação do ministro é estarrecedora - prossegue a carta - pois sequer a safra de 2003 foi colhida e a próxima florada será apenas em setembro. O governo conta com a estrutura da Conab para realizar as pesquisas de safra e cuja projeção para 2003 ainda será revelada daqui a alguns dias. O único fato real que o ministro poderia declarar é que a safra atual será pequena''.
A carta prossegue informando ao presidente o esforço dos produtores em busca da qualidade, lei da rotulagem, etc.
A pergunta que os produtores fazem: como prever uma safra que tem pela frente, longos riscos climáticos, considerando que clima é uma variável impoderável, que escapa do controle dos produtores e técnicos.
Até a OIC! -- O diretor-executivo da OIC, Néstor Osorio, declarou em Porto Seguro (BA) - onde participou domingo de um seminário - que a cafeicultura enfrenta problemas sociais graves. E sugeriu medidas urgentes.
Soja/alta -- Os preços futuros da soja na Bolsa de Chicago (CBOT) encerraram o pregão de ontem em alta. As cotações futuras apresentaram um comportamento extremamente técnico. O contrato com vencimento para maio encerrou o pregão a US$ 6,4225/bushel (US$ 14,16/sc de 60 kg).
Mercado interno viveu alguns momentos ativos mas manteve os preços baixos (ver quadro na página 2). Chicago ajudou mas o câmbio travou de novo. Comercial, R$ 2,860/2,865. Paralelo, R$ 2,920/3,000. Turismo, R$ 2,840/2,970.





