OSWALDO PETRIN
O efeito dólar
O câmbio encostando nos R$ 3,00/US$ 1,00 deve ser motivo de preocupação de alguns setores do agronegócio. É verdade que cada produto tem uma relação própria com a taxa de câmbio, mas de modo geral, todos são afetados. A soja, esta semana, por exemplo, resistiu a três fechamentos em alta na Bolsa de Chicago, com o bushel (27,216 kg) acima de US$ 6. Os preços em Paranaguá, Cascavel e Ponta Grossa não reagiram porque o câmbio está baixo.
A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) acha que não há risco. Que a agricultura é competitiva e suporta trabalhar com dólar a R$ 2,80.
Suporta, mas a que preço?
Vejamos: os contratos atrelados em dólar vão converter menos reais. Mantida a taxa atual (dólar comercial, ontem: R$ 3,090/3,095) uma saca de soja cai para R$ 30,00/31,00, cerca de R$ 6,00 a menos do que quando foi plantada (-15%). Serão R$ 1,5 bilhão a menos na economia.
Consultamos um operador de mercado, José Pitoli. Ele é incisivo:
uma taxa de câmbio abaixo de R$ 3,10 se torna insuportável em 30 dias. ''É uma bomba que está sendo armada'', afirma.
Pergunta automática: mas não tivemos vários anos de paridade total, um por um?
De fato, só que a paridade valia também para as importações dos fatores de produção.
Outro especialista, Stael Prata Silva, da FNP Consultoria e Agroinformativos, acha que o mercado vai ter que se acostumar com os riscos da instabilidade da moeda norte-americana.
A queda do dólar ocorrre quando mais de 50% da produção teve venda antecipada. Porém, quem fixou o preço antecipadamente em dólar não está necessariamente garantido.
Não foi prejudicado com a queda do dólar aquele que fez a pré-comercialização, fixou o preço em dólar e travou o dólar no valor do dia da negociação. Ele se expôs ao risco da variação cambial e acertou.
Nessas condições, o melhor momento para fechar o contrato foi em dezembro, com a cotação média de US$ 13,51/sc. Foi o momento em que a soja, em reais, chegou a R$ 49,26/sc. Média do dólar no mês: R$ 3,65/US$ 1,00.
A média do dólar em outubro foi maior: R$ 3,80, mas nem sempre o dólar é o único referencial, tanto que naquele mês a média da soja foi de R$ 45,00, ou US$ 12,07.





