Câmbio neutraliza Chicago

  Quem exerce maior influência sobre o mercado da soja: o câmbio ou a Bolsa de Chicago, que dita preços para o mundo?
  O novo recorde nas cotações dos contratos de maio da Bolsa de Chicago, ontem (US$ 6,105/bushel ou US$ 13,46/sc de 60 kg), não foi suficiente para elevar os preços do mercado interno, que opera com produto físico. A causa principal foi a nova queda (-2,62%) no dólar: comercial, R$ 3,075/3,080; paralelo, R$ 3,180/3,250.
  Embora mais de 50% da safra já tenha sido comercializada no mercado futuro, seria normal que as sucessivas altas na Chicago Board of Trade, esta semana, refletissem nos preços locais. Mas isto não aconteceu por conta do câmbio.
  Em Cascavel, a saca de soja foi negociada no mercado disponível a R$ 36,40. Em Apucarana, com menor opção de venda, produtores só conseguiram R$ 35,30. No Porto de Paranaguá, grandes compradores apresentavam interesse ao redor de R$ 39,70/saca para a soja com entregue imediata. (Veja cotações nos indicadores da página 2).
  Tomando por base os preços praticados no Oeste do Paraná, analistas da FNP
observam que durante este mês de abril a moeda norte-americana apresentou uma forte retração em relação ao primeiro trimestre deste ano, registrando um valor médio de R$ 3,22/US$ 1,00, contudo muito acima do câmbio médio para o mês de abril de 2002 (R$ 2,32/US$ 1,00).
  No primeiro trimestre deste ano, o preço média para a mesma região foi de US$ 11,78/saca, ante os US$ 9,63/saca observado no mesmo trimestre do ano anterior. O valor médio da moeda norte-americana, no mesmo período, foi de R$ 3,50/US$ 1,00, ante o valor de US$ 2,38/US$1,00, verificado no mesmo período do ano passado.
Tendência — Essa indiferença do mercado interno da soja em relação à Bolsa de Chicago tem limite, avisam analistas. De repente, nem é o câmbio, nem são os preços internacionais a principal variável a ‘‘sacudir’’ o mercado. A alta pode ser puxada pela redução de 15% na safra de Mato Grosso, por conta da ferrugem e do clima. Basta que isto seja explorado por Chicago.
Dólar/causa — Bons motivos sustentam a queda do dólar. A continuidade do ambiente externo favorável ao Brasil e o fluxo de entrada de captações recentes de empresas e bancos sustentaram a trajetória de baixa da moeda norte-americana.

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