OSWALDO PETRIN
Efeito Bush
Com exceção do café, os preços das principais commodities agrícolas não sofreram qualquer alteração, ontem, por conta da guerra. Não no primeiro dia; daqui para frente é outra história. Principalmente para as exportações de açúcar ao Oriente Médio que serão afetadas se a guerra durar mais de um mês.
O Oriente Médio é o segundo importador de açúcar do Brasil, depois da Rússia, com 10% (3 milhões de toneladas).
A guerra tirou o preço do café do fundo do poço. Ontem, a Bolsa de Nova York, referência mundial de mercado, fechou em alta de 155 pontos e sua performance repercutiu no mercado interno. No Paraná o tipo 6 subiu pelo menos R$ 10,00 em relação ao preço de quarta-feira (R$ 155,00).
Guerra é uma variável externa ao mercado. A alta ocorreu porque os especuladores que operam no mercado de capitais, financeiro e acionário, sentiram necessidade de diversificar suas aplicações diante do ambiente de adverso por conta da guerra. Procuraram abrigar seus investimentos no mercado de commodities agrícolas, migrando preferencialmente para o café. Em poucas horas o mercado ficou comprador (de papéis lastreados em café).
Os entendidos do mercado não sabem prever se o preço cai com a oferta de contratos para realização de lucros, ou se a guerra dará uma sobrevida ao perído de alta.
Sem o efeito circunstancial da guerra, o mercado aposta no lançamento dos contratos de opções de compra, que prometem alavancar preços entre R$ 220,00 e R$ 230,00/saca em julho.
Os indiferentes à guerra não foram apenas os produtos do agronegócio. As bolsas fecharam em alta nas principais capitais do mundo. Títulos da dívida brasileira subiram; bolsas brasileiras subiram e o dólar teve alta de 0,35% (comercial a R$ 3,474/3,479; paralelo, R$ 3,550/3,650).
Este é o quadro entre as instituições. Individualmente, há empresas exportadoras sofrendo mais ou sofrendo menos, dependendo do grau da relação comercial com países da região. O setor de alimentos - onde o Brasil marca posição - tende a enfrentar problema de com o frete marítmo.
A soja, no indicador Esalq/BM&F ficou em R$ 40,52/saca, alta de 0,87% no dia. Em dólar, o indicador ficou em US$ 11,65/saca, ganho de 0,52%. Média de cinco praças do Paraná.
Folha Rural -- Na Folha Rural deste sábado uma reportagem especial sobre a produção de soja e frutas na Argentina. Veja a reação de produtores paranaenses diante da soja transgênica argentina. Eles viajaram a convite da Faep, que tem levado agricultores e técnicos para conhecer o trabalho dos concorrentes.





