OSWALDO PETRIN
Recessão da pesada
Entre o fim do governo FHC e o início do governo Lula, economistas oficiais mantiveram seus prognósticos otimistas com relação aos índices aferidores da inflação. Projetaram taxas inofensivas, para outros setores como a do déficit primário, e pisaram fundo na espiral do IPC e IPCA. Afinal, interessa a todos que os indicadores sejam comportados. Assim eles ajudam a escamotear outros indicadores, os sociais, que estão pela hora da morte.
Mas ontem veio o primeiro susto: em uma dessas prévias semanais, a da Fundação Getúlio Vargas, o IGP-M (Índice Geral de Preços de Mercado) de fevereiro ficou em 1,73%. Surpreendeu até os agentes do setor privado, os do mercado, que previam um intervalo entre 1,10% e 1,30%. No ano, o IGP-M acumula alta de 4,09% e, em 12 meses, exatos 29,89%.
Outro índice, o do custo da construção (INCC) ficou em 1,11% ante 1,22% na 2ªprévia de janeiro.
Mas que ninguém se preocupe. Como já se viu antes - em outros tempos, em outros governos -, as rédeas da política monetária estão na mão. É que, ontem mesmo, os juros básicos, passaram de 25,5% para 26,5% ao ano. O Conselho de Política Monetária (Copom) prometeu; o Copom cumpriu.
Outro instrumento acionado foi o do recolhimento compulsório sobre depósitos à vista em conta corrente, passando de 45% para 60%. Assim o Banco Central enxuga o dinheiro da praça.
Essa alta nas taxas básicas (Selic), sem dúvida, vai transparecer nos juros de mercado e quem quiser fazer crediário vai aumentar o risco de cair na inadimplência.
O consumidor que tiver juízo vai adiar a troca do freezer ou da tevê. Assim não corre risco de mergulhar em dívidas corrigidas na velocidade inversa a de sua renda.
Vai ter que rever sua capacidade de endividamento. Do jeito que o arrocho está aumentando até aquela marchinha de carnaval estará mais lenta - para repetir o trocadilho do analista de um grande banco nacional.
Milho/liquidez - Do cerealistas José Donizete Pitolli, de Santa Mariana, para esta coluna, ontem: a colheita de milho está mais adiantada do que se pode imaginar. As chuvas dos últimos dias não foram fortes em todas as regiões e a colheita foi retomada rapidamente.
Milho/liquidez 2 - Quem achar que os produtores de milho estão retendo o produto para forçar alta de preços (sebendo que a produção é baixa) está errado. Como já ocorreu no ano passado, os produtores estão vendendo o milho para saldar as dívidas e não ter que vender a soja, que elegeram como moeda forte de 2003.





