OSWALDO PETRIN
Bolsa versus dólar
Difícil operar no mercado da soja sem o grande referencial que é a Bolsa de Chicago. Mas, ontem, a alta do dólar conseguiu - por alguns momentos no Oeste do Paraná - contrapor a ausência da Chicago Board of Trade (motivada pelo feriado - nascimento de Martin Luther King), aumentando a oferta do produto.
O humor (mal-humor) do câmbio falou mais alto, com dólar comercial a R$ 3,405/3,410/US$ 1,00; paralelo a R$ 3,450/3,500/US$ 1,00.
No final do expediênte, porém, o preço máximo da soja não passou de R$ 39,00, na praça das indústrias moageiras, Ponta Grossa. Na última sexta-feira, segundo a FNP, foi negociado na Bolsa de Mercadorias & Futuros um lote de CPR Física do Banco do Brasil de soja em grão com padrão Concex de 1.000 sacas, cuja entrega deverá ocorrer no final de maio deste ano na região de Ponta Grossa, R$ 33,80/saca - enquanto a saca é negociada a R$ 41,00 no mercado disponível.
Inimigos do milho -- A crise do milho é cíclica e é causada pela falta de organização da cadeia produtiva do grão. As indústrias costumam tratar os produtores mais como ''inimigos'' do que como parceiros, avalia o especialista em economia rural Eugênio Stefanello - em entrevista ao jornalista Joel dos Santos Guimarães, da Agência Meios, de São Paulo.
Inimigos do milho 2 -- Em épocas de grande safras, as indústrias, em razão da boa oferta, costumam impor seus preços, e muitas vezes chegam a fixar valores até abaixo do custo de produção, diz a notícia, que também foi veiculada no site da Sociedade Rural Brasileira.
Inimigos do milho 3 -- Resultado dessa concorrência predatória praticada pelas indústiras é que na safra seguinte há uma redução na área plantada e, em consequência, queda na produção, obrigando o País a importar o grão para garantir o suprimento da cadeia produtiva.
Inimigos do milho 4 -- Foi o que aconteceu na safra 2000/2001, quando o País colheu 42 milhões de toneladas para uma demanda de 36 milhões de t. Aproveitando-se desse fato, as indústrias chegaram a pagar pela saca de milho entre R$ 5,00 e R$ 6,00, valores inferiores ao custo de produção.
Inimigos do milho 5 -- Se naquele ano os agricultores não tivessem conseguido exportar 5 milhões de t, muitos produtores de milho teriam falido. Naquela ocasião, as indústrias impuseram seus preços - ao mesmo tempo em que o governo FHC não interferiu no mercado deixando os produtores a mercê das indústrias.
Inimigos do milho 6 -- Para Stefanello, a política das indústrias nas suas relações com os produtores ''é burra, pois acaba se voltando contra elas mesmas''. Exemplo: a alta do preço da saca de milho, como ocorre agora, acaba interferindo nos próprios custos de produção de vários segmentos da agroindústria, já que o milho e o farelo de soja representam 70% do custo de produção da indústria de ração.
Safrinha -- No desespero, para evitar desabastecimento em 2003, o governo vai incentivar o milho na safrinha. Mas há técnicos alertando: o agricultor deve pensar bem. O milho vai competir com o trigo, que tem boas perspectivas, e competir, também, com a natureza, pois como todos sabem, a época é de risco para a lavoura de milho.





