OSWALDO PETRIN
Hegemonia varejista
O varejo, liderado pelas grandes redes de supermercados, que monopoliza alguns itens principalmente da alimentação, quer tratar o setor industrial como trata os fornecedores de hortifrutigranjeiros: aviltando seus preços e usando os produtos para promoções, o que é possível porque forçam a baixa desses produtos de maneira comercialmente predatória.
O setor industrial perdeu a ascensão sobre o varejo. Mas não está morto. Ontem um dirigente supermercadista foi incisivo (em frente às câmeras) ao afirmar: se o preço subir, não vamos vender o produto.
As leis do mercado não são tão lineares. Seu comportamento incorpora variáveis que, às vezes, podem contrapor até mesmo a lei da oferta e procura, a mais saudável de todas - se tanto a oferta não fosse passível de manipulação e distorções.
Ainda ontem, alguém antecipou uma pesquisa que a FGV vai divulgar no final do mês, segundo a qual, 43% das indústrias de bens de consumo pretendem reajustar seus preços.
O consumidor pergunta se o varejo vai saber distinguir se essas altas de preços serão por conta de reajustes para manutenção da margem, ou se são aumentos reais.
Desempenho - Mas o varejo até que faz por merecer. No último ano, quando ficou visível o empobrecimento da população economicamente ativa - apesar da liquidez em algumas extratos sociais - as vendas dos supermercados brasileiros tiveram com um crescimento real de 1,52%. Faturamento de R$ 72,5 bilhões.
A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) espera um aumento das vendas de no mínimo 2% em 2003 para o setor recuperar as perdas dos últimos anos. O último ano de crescimento significativo do setor foi em 1998, de 6%. Desde então, o setor amarga queda nas vendas em valores reais, de 2,7% em 1999 e 1,23% em 2000. Em 2001, o mercado teve suave reação, com crescimento de 0,4%.
Milho/exporta - Para o desespero de toda a cadeia produtiva - com exceção naturalmente da ponta da produção - o Brasil já negociou 1,1 milhão de toneladas de milho para embarque no primeiro trimestre do ano. São vários os destinos. E a queda do dólar não inibe novas negociações. Três cooperativas do Paraná lideram as vendas externas.
Discrição - Agentes do setor mantêm sigilo e discrição sobre o assunto, ao contrário do ano passado, quando prevaleceu o ''exportar é o que importa''. É que diante da iminente crise de abastecimento, a exportação pode ser alvo de contingenciamento ou algum tipo de taxação - comentou ontem o gerente comercial de uma cooperativa.
Dólar - A nova queda do dólar, ontem (fechou em baixa de 0,51%, cotado a R$ 3,31), esfriou um pouco o mercado interno da soja, apesar da alta na Bolsa de Chicago - puxada pela boa performance das exportações norte-americanas. Veja página 2.





