O bolo do agronegócio
Na Folha Rural, que circula amanhã, uma reportagem sobre o desempenho da agricultura em 2002. Exportadores, multinacionais e cooperativas estão felizes com o balanço.
Há razão para comemorar. A soja, por exemplo, em termos de Brasil, deverá render 32,2% a mais que no ano passado. A CNA estima ainda um aumento de 9,1% na quantidade produzida. O preço médio nos primeiros dez meses deste ano foi 27,5% maior que no mesmo período de 2001.
No Paraná, o setor cooperativista espera fechar o ano com um faturamento de R$ 10 bilhões, que corresponde a um crescimento de 25% sobre o resultado do ano passado.
Excluídos - Dois pontos têm que ficar claros. Tanto lucro é resultado da receita de produtos que têm preços dolarizados. Portanto, é mero acidente macroeconômico que desvalorizou a moeda nacional. Não é, portanto, resultado de ação de governo em favor do agronegócio. Na verdade não é mérito próprio de ninguém, embora nossa agricultura seja competente.
Também tem que ficar claro que a grande maioria dos agricultores não participa dessa festa. Eles venderam seus produtos bem antes das altas dos preços. Geralmente não têm capital para segurar a mercadoria e escolher o melhor momento para fechar um contado de venda.
Ágide Meneguette - Uma observação do presidente da Faep, Ágide Meneguette, é a que melhor define a situação hoje da agropecuária. Diz o líder rural:
''A performance espetacular de 2002 tem a ver com a disparada do câmbio. Portanto, acho que nossa euforia deve ser contida, já que dificilmente isto irá se repetir...''
''Provavelmente já no primeiro semestre de 2003 o preço do dólar deverá ajustar-se a um valor verdadeiramente compatível'', afirma Ágide.
Não significa que será um desastre; muito pelo contrário - diz Ágide. O câmbio continuará favorecendo as exportações. Possivelmente não mais como o fez este ano, mas ainda assim tornando nossas exportações interessantes e lucrativas.
''O que reclamo - diz - é que esta queda previsível do câmbio poderia ser mais do que compensada por medidas que reduziriam as perdas de renda dos produtores após a porteira. Ele se refere principalmente a ações que podem reduzir os custos de transferência - os altos preços dos fretes rodoviários, os pedágios indecentes, a ineficiência da ferrovia, o ainda alto custo das operações portuárias.
O artigo de Ágide está na Folha Rural deste sábado.

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