OSWALDO PETRIN
As duas faces
do câmbio
O descontrole cambial, que se ecentuou a partir de agosto, deixa um rastro de prejuízos à maioria das empresas. Nos balanços é que isto transparece mais claramente. Ainda ontem, o dirigente de uma grande indústria produtora de alimentos do Paraná - já com números finais apontando um crescimento aquém do esperado -debitava à alta do dólar, a redução das suas metas de crescimento.
A indústria trabalha com um universo de 120 itens e a média de crescimento foi prejudicada justamente pelos produtos que têm o dólar como referencial de preços. E são justamente os que têm maior peso específico no pacote.
Naturalmente que entre os produtos estão os do complexo soja e milho. Mas o arroz, pela redução da produção e dificuldade de se importar, também teve parcela de culpa.
Esse é o lado perverso. O lado positivo beneficia mais a macroeconomia do que o desempnho das empresas. Mas ele existe.
Afinal, até ontem, contrário do que ocorreu em 2001, nesta época, o superávit da balança comercial já acumulava um saldo de US$ 11,982 bilhões. E a projeção é fechar o ano com US$ 12,5 bilhões.
Alguns do heróis da balança de pagamento, como a soja, foram os que prejudicaram a indústria de alimentos. O aumento das exportações em dezembro foi puxado pelas vendas de produtos básicos - soja em grão e farelo, petróleo, café em grão, minério de ferro, carne bovina e suína - e manufaturados como os automóveis, motores, açúcar refinado e suco de laranja, entre outros.
Os dados divulgados ontem evidenciam uma boa performance dos produtos do agronegócio. O desempenho teria sido melhor não fossem as barreiras e os subsídios impostos pelos países importadores.
Aliás, ontem, a União Européia apresentou à Organização Mundial de Comércio (OMC) um projeto de negociação agrícola. Propõe que países como Estados Unidos, Canadá, Japão, Austrália e os 15 membros do bloco teriam que reduzir em 55% os subsídios internos, efetuar um corte médio de 36% de todas tarifas de importação e diminuir em 45% dos subsídios para exportação.
No caso de produtos como trigo, oleaginosas, azeite e fumo, a União Européia propõe que os subsídios para exportação sejam eliminados completamente de todos os países-membros da OMC.
Para Pascal Lamy, comissário de Comércio da União Européia, as proposições são realistas e atendem às demandas dos países em desenvolvimento, que pedem maior acesso ao mercado europeu e queda de barreiras (AE e Agência Folha).





