O dumping do varejo
A forma como o grande varejo - representado por não mais que seis poderosas redes de supermercados - manipula os preços do leite, está irritando os produtores.
Em reunião hoje da cadeia produtiva do leite, em São Paulo, o setor vai propor que se crie uma planilha dos custos de cada segmento do leite. A tarefa talvez caberá ao grupo ''Pensa'' da USP. Esses dados já existem mas, como os produtores vão pedir uma ação mais dura do próximo governo para moralizar o setor, a idéia é não deixar dúvidas com relação aos números.
O presidente da Leite Brasil, que representa a ponta da produção, sr. Jorge Rubez, não economizou palavras para criticar, ontem, através desta coluna, a manobra dos supermercados com relação ao preço de ''promoção''.
A importação da Argentina, feita dias atrás, por uma grande rede paulista, é produto de dumping argentino, segundo Rubez. ''Eles venderam o litro do leite argentino por 95 centavos, mas na mesma época, o mesmo produto, estava sendo comercializado por preço equivalente a R$ 1,60.
Outra ''armação'' foi feita com a Batavia, segundo Rubez. Venderam a preços inferior ao preço pago para a indústria só para chegar nas demais marcas e pressionar.
Como são poderosas, essas redes de supermercados exigem leite de graça para promoção de seus aniversários...''nunca vi supermercado fazer tantos aniversários'' - ironizou.
Segundo Rubez as indústrias são pressionadas a bancar atá reforma do pátio dos supermercados. Uma recusa pode significar o rompimento da compra.
A política dumping dos supermercados é nociva ao País porque provoca desequlíbrio social na pecuária leiteria, que gera 3,5 milhões de empregos diretos, nas 1 milhão de propriedades.
Números da Leite Brasil: cada US$ 20 mihões exportados (de lácteos) o Brasil converte 6 mil empregos nas propriedades e 11 mil empregos em toda economia. O melhor para o Brasil é incentivar a exportação; a importação quebra o produtor nacional e gera desemprego.
Soja/câmbio - A explosão do dólar salvou a receita de cooperativas, aumentou a remuneração do produtor e corrigiu ''falhas nostras'' na comercialização e nos balanços de muitas delas.
A disparidade providencial não vai continuar mas em volume o efeito será melhor: as exportações de soja do próximo ano serão bem maiores do que as atuais. A safra recorde de 48,3 milhões de t deverá permitir ao Brasil exportar 19,5 milhões de t de grãos, 13,5 milhões de farelo e 2,3 milhões de óleo, segundo cálculos da Abiove, divulgados ontem pela Agência Folha.
Receita projetada: US$ 7,6 bilhões, bem acima da receita deste ano (US$ 6 bilhões).

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