OSWALDO PETRIN
Cachaça na terra
do uísque
A cachaça artesanal paranaense passeia de nariz empinado na terra do uísque. Exatamente. Afinal, a Escócia está na rota das exportações da Paradiso, fabricada em Ribeirão do Pinhal, no Norte Pioneiro. Outros países que já provaram e vêm fazendo negócios são o Canadá, Itália e Holanda. É de se imaginar um enorme outdor verde-amarelo no Porto de Amsterdã. Cena não está londe de ocorrer.
A cachaça de Ribeirão do Pinhal embarca no Porto de Paranaguá por US$ 2,50 a garrafa de 700 ml e chega ao seu destino, na Europa, valendo cerca de US$ 20 dólares (equialente a 20 euros). Cerca de 80% da produção de 2002 já tem destino certo: o mercado europeu e o Canadá. O restante 20% o empresário Newton Carneiro Neto quer comercializar no mercado interno via Fábrica do Agricultor.
A produção do alambique é de 50 mil garrafas de 700 ml/ano. Tudo o que se fabrica é vendido. Mas Carneiro está prevendo o que chama de boom da pinga. Na verdade já existe uma forte onda. Em breve, os exportadores brasileiros deixarão de procurar nichos de mercado para contratar grandes negócios, diz.
A ascensão da cachaça expressa o talento e disposição de investir dos paranaenses e brasileiros.
Bolha? ---- Não só os números da inflação são preocupantes. As análises sobre o comportamento dos agentes econômicos estão carregadas de superlativos: inflação ''generalizada e assustadora'', disse ontem a Fipe, ao anunciar ontem a terceira prévia de novembro do IPC-Fipe, de 2,40%; risco de ''colapso inflacionário'', alertou o economista Eduardo Gianetti da Fonseca, sobre o cenário a ser enfrentado pelo governo Lula em seu primeiro ano.
Os economistas Affonso Celso Pastore e Carlos Langoni, por exemplo, discordam da tese da ''bolha'' e recomendam política monetária apertada para enfrentar o problema. Já pelo lado do PT prevalece a visão de que as pressões inflacionárias vão se reduzir e a ''bolha'' será estourada, com queda do dólar e ''choque de confiança''. Saliente-se que o partido mantém o ''compromisso total de controlar a inflação'', como reiterou ontem o jornalista André Singer, porta-voz do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva. (AE).
Soja/problemas ---- Fonte do Deral informou ontem - através da Agência Folha - vaivém das commodities -, que as lavouras de soja apresentam um desenvolvimento ''muito pior'' neste ano do que no anterior. Há uma grande incidência de fungos, morte das plantas e podridão das raízes. Esse fenômeno ocorre tanto no Paraná como no Centro-Oeste, as principiais regiões produtoras do país.
Técnicos especializados em soja já se reuniram para discutir o assunto, mas ainda não chegaram às causas. O motivo provável, segundo o Deral paranaense, é o excesso de calor, seguido de períodos de chuva e de alta umidade.





