Apertem os cintos
Quem não gosta de pessimismo não deve acompanhar as projeções e análises que Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão do próprio governo (Ministério do Planejamento).
Para começo de conversa, o impacto da alta do dólar nos preços deste ano continuará alimentando a inflação no ano que vem, mesmo que o câmbio caia. É que os Índices Gerais de Preço, da FGV, os que mais sofreram influência do dólar, vão passar de 20% este ano e serão usados para reajustar tarifas e contratos como energia elétrica e aluguel no ano que vem.
Segundo o Ipea, a alta da inflação é a questão mais crítica que o novo governo terá de enfrentar e, para isso, as taxas de juros terão de ser mantidas altas no ano que vem. O Ipea reviu todas as previsões de macroeconomia em seu último boletim - divulgado ontem pela Agência Estado.
A previsão para a inflação de 2003 medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado como base para as metas de inflação, foi revista de 4,4% para 9%.
Aqui o Ipea falseou os dados que tem. É uma previsão modestíssima, para evitar ''terrorismo'', uma vez que a inflação de 2002 ficará bem acima desse número. Usou o bom-senso, convenhamos.
Sacrifício --- ''No ano que vem, o governo vai ter de segurar a inflação, e obviamente não se consegue segurar a inflação e crescer rapidamente'', afirmou, o coordenador de Conjunturas do Ipea, Paulo Levy.
Em consequência dos juros altos - ficando em 22% até junho e em 21,3% na média de 2003 -, o crescimento econômico continuará baixo. A previsão é de que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça 1,4% este ano e 1,8% no ano que vem. A taxa de desemprego ficará inalterada, passando de 7,3% este ano para 7,2% no ano que vem.
Rastreamento --- A pecuária paranaense dará hoje uma demonstração de que aprova a indicação da Secretaria da Agricultura como entidade certificadora do Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina (Sisbov). Lideranças participam às 11h30, da solenidade de assinatura do credenciamento da Seab, que fará a identificação e certificação no Paraná.
O presidente da Faep, Ágide Meneguette, e membros das comissões técnicas da Federação e sindicatos rurais participam do ato presidido pelo ministro da Agricultura e Pecuária, Pratini de Moraes.
O apoio das lideranças ao credenciamento da Seab ficou claro quando dos seminários sobre rastreabilidade no início deste mês, realizados em Londrina, Ponta Grossa, Guarapuava, Maringá e Cascavel.
A posição de forças produtoras como a Faep, sindicatos e as sociedades rurais do Paraná se expressa dentro do Conesa, o fórum de dabate e das decisões sobre sanidade agropecuária.
Os presidentes da Sociedade Rural, Edson Neme Ruiz, e do Sindicato Rural de Londrina, Luiz F. de Almeida Kalinowski, também participam do ato. Para Kalinowski, o Paraná terá um trabalho de fôlego que é a montagem e funcionamento da rastreabilidade. Para Neme, o projeto da Seab servirá de modelo. O grande beneficiado será o produtor, diz Neme.
Resta torcer para que a Seab, com apoio de entidades de peso via Conesa, consiga pôr ordem na casa, pelo menos no Paraná. Afinal, essa rastreabilidade não está séria.

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