OSWALDO PETRIN
Preço sobe; preço cai
Foi manchete nos telejornais de ontem e será destaque nos jornais de hoje: os produtos de origem agropecuária subiram 5,41% na cidade de São Paulo nos últimos 30 dias. Um susto para o consumidor. Os técnicos falam que o aumento do custo da cadeia produtiva ''estourou na ponta do consumo''.
Mas, aqui no interior, a ''ponta'' da produção já está no reverso. Os preços estão em queda. O arroz foi negociado ontem a R$ 28 na fronteira do RS, com queda de 3,45%.
O preço da arroba do boi teve pequena queda. Deve voltar a subir em dezembro, mas no momento cedeu (ver Commodities na pág.2).
O trigo: o preço médio recebido pelo produtor paranaense em outubro foi de R$ 37,35/saca (US$ 9,29). Foi o maior preço em reais. Ontem, o preço caiu para R$ 31,50 (8,98 dólares) na região de Cornélio Procópio, segundo a empresa Pitolli & Villela. Nas regiões de Cascavel e Maringá, caiu para R$ 34,50, segundo a Bolsa de Cereais e Mercadorias de Londrina. Veja ''Commodities'' na página 2.
Faça as contasQuem não vendeu, perdeu. Em medados de outubro a tonelada do trigo foi comercializada por R$ 680,00 (180 dólares), considerando o dólar a R$ 3,85. Ontem, o preço de venda estava um pouco acima de R$ 570,00/t (161 dólares a R$ 3,50/US$ 1,00).
Às vezes não é difícil encontrar resposta para justificar a ausência de compradores para o trigo nacional. O importado chega relativamente mais barato, 155 dólares (R$ 640,00/t), aos moinhos, que têm 180 dias para pagar a juros internacionais. O prazo para pagar o trigo importado é de 180 dias. Uma mamata. O trigo nacional tem comprador a R$ 570,00/t mas a indústria quer pelo menos 30 dias.
''Desconheço uma empresa no Norte do Paraná que esteja fixando preços para o trigo. A R$ 36,00/saca não há comprador'', comenta José Pitolli, do segmento atacadista.
As indústrias alegam queda no consumo e que não conseguem repassar tantos reajustes de preços da matéria-prima e outros componentes de custo.
Estão apostando nas seguintes variáveis que pressionam os preços para baixo: queda no consumo, queda do dólar, que vai facilitar a importação da matéria-prima, e natural recessão do mercado, quando o movimento de compras recua intependente de conjuntura adversa como agora.
Dólar -- Se a queda ou apenas a estabilidade do dólar nos atual patamar conspira contra o preço do trigo nacional, a situação sugere novas quedas. Ontem, por exemplo, O dólar comercial voltou a fechar em baixa, após o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) anunciar a elevação de um ponto percentual taxa referencial de juros do mercado (a Selic), agora em 22% ao ano.
Foi cotado a R$ 3,5100/US$ 1,00 para compra e a R$ 3,5150/US$ 1,00 para venda, queda de 1,54%.





