Poder do varejo
Alguns anos atrás, as indústrias aumentavam os preços a seu modo. Se o varejo conseguisse ou não repassar para o consumidor, era problema dele. E caso manifestasse qualquer reação, o boicote, nem sempre sutil, não tardava: atraso na entrega, ausência de alguns itens, enfim, os supermercados/hipermercados acabavam cedendo. Não havia uma reação homogênea do setor.
Hoje, depois das numerosas incorporações entre grandes redes, as regras são ditadas pelo varejo. A primeira vítima foram as cadeias alimentares. Desorganizados, os agricultores e as agroindústrias não tiveram força para reagir ao aviltamento constante. Para conseguir um mísero espaço nas gôndolas de uma rede famosa, tem que fazer concessões e se sujeitar à tantas exigências.
Ninguém pode negar que na maioria das vezes o consumidor é beneficiado. Principalmente quando os muitos itens da alimentação - leite e hortigrutigranjeiros de produção nacional, por exemplo - são o chamariz e entram na oferta da semana.
Até quando vai essa mamata ilusória não se sabe.
Mas, ontem, o varejo deu nova demonstração de forças (contra a indústria) na queda-de-braço com a seus fornecedores. O grupo Pão de Açúcar anunciou uma linha de produtos, com o nome da rede para concorrer de forma direta e indireta com os líderes de mercado.
Nesse pacote de itens, que chega às lojas nos próximos dias, estão pratos semiprontos, setor em que as indústrias já solicitaram aumentos de preços neste mês, segundo a Agência Folha, ontem.
Em média, os itens com a marca da rede serão 15% mais baratos do que os oferecidos pelas empresas. Ainda há produtos com preços semelhantes aos praticados no mercado.
Serão vendidos, entre outros itens, frutas secas, azeite, café e açúcar - este último produto chegou a ser alvo da principal da concorrência entre o varejo e os fabricantes.
Soja/exporta --- Previsão da Abiove: as exportações de soja em grãos deverão atingir 19,1 milhões de t na próxima safra. Neste ano, os registros de exportações já atingiam 15,7 milhões de t até meados de outubro. As vendas de farelo deverão passar de 12,2 milhões de toneladas neste ano para 13,8 milhões no próximo.
Moagem - Com safra prevista em 48 milhões de t para o próximo ano, as indústrias esperam esmagar 27,5 milhões de toneladas no período. Se confirmado, esse volume superará em 9% os 25,2 milhões de t previstos para esta safra. (Vaivém das commodities).
Óleo --- O aumento da safra permitirá a elevação das exportações de óleo de soja, que poderão subir para 2,25 milhões de toneladas, 18% mais do que neste ano.

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