OSWALDO PETRIN
Juros inibidores
O Comitê de Política Monetária (Copom), na sua reunião de hoje e quarta-feira, deve elevar dos atuais 21% ao ano para 22% a taxa básica de juros (taxa Selic).
Nenhuma novidade, considerando o esforço para conter a inflação, no estilo monetarista.
O governo quer inibir a demanda, vetor de expectativa inflacionária. É assim desde o início do Plano Real. Embora, convenhamos, a atual inflação (cujas projeções vêm sendo corrigidas mês a mês) nada tenha a ver com demanda agregada de bens. Ela decorre do descontrole cambial nos meses de agosto, setembro, outubro e, menos impetuosa, nos primeiros dias de novembro.
Além do câmbio, as tarifas administradas pelo governo, combustíveis, energia elétrica e outros, têm impulsionado os índices de preços, sejam do IBGE, da FGV ou Fipe/Usp. Exemplo prático: de janeiro até agora, um dos derivados que mais mexem com a economia popular, o gás liquefeito de petróleo (GLP), aumentou 23,7%.
Ao aumentar o juro básico o Banco Central está sinalizando com redução do crédito na praça e dando sinal verde para aumento das taxas de mercado. No vácuo vão as taxas do cheque especial, crédito direto ao consumidor e crediário em geral.
Para vender, as lojas de departamento vão tentar compensar num prazo mais elástico. Uma imprudência. Ou um convite à inadimplência.
Opinião do economista-chefe do Lloyds TSB, Odair Abate à Agência Estado, ontem: mesmo considerando que grande parte do aumento dos preços decorre de custos mais elevados e não de pressão de demanda, os efeitos secundários da variável câmbio são perceptíveis. O Lloyds trabalha com a ''expectativa mínima'' de um aumento de 1 ponto na taxa Selic, de 21% ao ano para 22%.
/Dólar/dica - Para quem vai comprar dólares ou fazer negócios com base na moeda norte-americana, a dica do principal assessor econômico do PT, Guido Mantega, é a seguinte:
A cotação deve apresentar queda nas próximas semanas e aumentar após a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva. A queda do dólar não será linear, ainda haverá sobressaltos atribuídos aos vencimentos de títulos da dívida pública.
Mantega não fez previsões sobre o comportamento do dólar ano que vem. Mas deu uma boa notícia: o superávit da balança será de US$ 15 bilhões, uma boa contribuição para a estabilidade cambial.
A propósito: ---- A propósito, as exportações de produtos agrícolas continuam com ritmo acelerado. As receitas com soja deverão somar US$ 410 milhões neste mês; as com carnes, US$ 275 milhões; as com açúcar, US$ 220 milhões; e as com café, US$ 154 milhões. Já os gastos com importações crescem em ritmo menor. As despesas com cereais e produtos de moagem devem somar US$ 98 milhões. As com adubos e fertilizantes, US$ 131 milhões.





