OSWALDO PETRIN
Privilégio de consumir
Ao comércio varejista não interessa o ganho em escala, ou seja, no volume de vendas; interessa manter a margem, ainda que o volume de vendas diminua. Isso transparece no movimento de setembro: as vendas caíram 1,23%, mas a receita nomial das vendas cresceu mais de 6%.
Não há outra equação: se a receita cresce, apesar da queda nas vendas, a diferença só pode ser compensada no valor do volume negociado.
Mas o comportamento do comércio varejista no mês passado, avaliado pelo IBGE, deixa entrever outra situação: a concentração do poder de consumo. Um continente menor de pessoas está absorvendo um volume maior de bens (de consumo ou duráveis).
Isto ocorre de forma mais clara nos setores oligopolizados, representados pelos super/hipermercados.
Glifosato/Nortox - Só agora o Ministério da Indústria e Comércio vai concluir uma investigação iniciada em abril de 2001 sobre dumping praticado por exportadores chineses de glifosato contra o mercado brasileiro. A denúncia foi feita pela indústria paranaense Nortox e por uma multinacional do setor de herbicidas.
Queda de braço --- Enquanto as indústrias apontam aumento da oferta de boi gordo, sugerindo estabilidade ou até recuo dos preços, os pecuaristas de São Paulo e Mato Grosso preferem apostar no rompimento da barreira dos R$ 60,00/arroba.
Foi ontem --- O valor à vista do indicador do boi gordo Esalq/BM&F fechou a R$ 59,07/arroba, alta de 0,20% no dia. A prazo, a cotação ficou em R$ 60,18/arroba, ganho de 0,07%.
Folha Rural --- Na Folha Rural, amanhã, o cerealista José Pitolli, de Cornélio Procópio, sugere aos agricultores que ainda não venderam a soja da última safra, que procurem fechar contratos antes de meados de dezembro. O mercado tende a enfraquecer a partir daquela data, voltando só depois de janeiro. A recomendação também vale para o milho. Dificilmente analistas de mercado ou tradings são tão diretos nas suas observações. A maioria não arisca, mesmo diante das evidências.
Folha Rural 2 --- O suplemento de agronegócios da Folha também mostra como evitar que a maturação do café - tão desuniforme, este ano -, se transforme num fator de depreciação da bebida.
Subsídios ---- A política agrícola de países ricos custa 20 bilhões de dólares/ano aos países em desenvolvimento. Segundo o ministro Pratini, da Agricultura e Pecuária, a redução de 10% no nível global de apoio interno à agricultura dado pelos países que compõem a Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) levaria a um incremento dos preços de produtos agrícolas da ordem de US$ 2,2 bilhões, o que beneficiaria países produtores, como o Brasil.
FAO é omissa ---- O ministro Pratini critica a omissão FAO (Fundo das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação) frente aos prejuízos causados por práticas protecionistas e restritivas. ''Se a FAO está mesmo comprometida com a luta contra a fome e a pobreza, então deve definir uma estratégia que acompanhe os acordos agrícolas da OMC'', diz o ministro.





