OSWALDO PETRIN
Bolha inflacionária
A iminente disparada dos preços antes da virada do ano passou a ser, esta semana, a principal preocupação dos agentes do mercado acionário, de commodities em geral, e, por vezes, chegou a refletir no mercado de juros. O que mais se especula é sobre a nova taxa Selic, que indica a taxa de juros básicos que, por sua vez, dá o tom dos juros do crediário, cheque especial, empréstimos, etc.
Nem o afastamento provisório de uma guerra (Iraque aceitou ontem o retorno de inspetores da ONU para verificar seu arsenal) conseguiu contrapor a expectativa do mercado em torno dos juros e da inflação. O foco é a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), na próxima semana.
O mercado está desconfiado e arisco.
Sobre inflação quem já fala a linguagem de Pedro Malan (de Maílson da Nobrega, Zélia Cardoso e outros) é Guido Mantega, principal assessor econômico do PT.
Ontem ele saiu com essa (entrevista à Agência Folha): A atual disparada nos preços faz parte só de uma ''bolha inflacionária'', que já começa a se dissipar. Em 2003, a inflação dos IGPs será bem menor que a esperada para este ano.
A retomada da confiança no país conterá o dólar e, consequentemente, a escalada da inflação. ''Os IGPs [Índice Geral de Preços] devem ficar entre 10% e 12% no próximo ano'', disse Mantega, que participou do seminário ''Cenários: Como Administrar 2003'', realizado em São Paulo. Neste ano, os IGPs devem fechar com alta acumulada em torno de 20%.
Além de inflação menor, Mantega aposta em que a economia brasileira cresça entre 2% e 3,5% em 2003.
Para o economista José Roberto Mendonça de Barros, também presente ao evento, a visão do economista do PT é muito otimista. ''Trabalhamos com a perspectiva de um PIB quase sem crescimento no próximo ano'', disse Barros. Em 2002, o país deve cresce pouco mais de 1%.
Passada a turbulência das eleições, Mantega confia em que os temores do mercado internacional em relação ao Brasil se dissipem aos poucos.
Boi/reposição ---- O mercado do boi gordo tem mais um fator de sustentação dos preços atuais, em torno de R$ 58,00/arroba no Paraná. Ontem, as duas empresas de orientação do segmento, a Scot Consultoria e a FNP Consultoria & Comércio, informaram que os preços do boi magro, do garrote e do bezerro desmamado estão em alta em função da forte demanda, estimulada pelas boas condições de pasto, perspectiva de alta da carne e fatores político e econômico.
Fécula na farinha ---- Afinal, a indústria de derivados de trigo é contra ou a favor da mistura de fécula de mandioca à farinha de trigo?
É que, devido à elevação dos preços da farinha do trigo importado, as indústrias de panificação e de massas passaram a comprar volume maior de fécula de mandioca. Essa procura maior elevou os preços do produto para R$ 15,50 por saca de 25 quilos, 63% mais do que há 40 dias, diz Methodio Groxko, do Deral, ao Vaivém das commodities/AF.
Efeito ---- O Brasil reduziu as importações de trigo da Argentina. Na safra 2001/2, as importações somaram 5,8 milhões de toneladas até início do mês passado. No mesmo período da safra anterior, as importações atingiam 6,5 milhões de toneladas. O volume importado do cereal este ano será bem menor mas o dispêndio, em dólares, aumentou em proporção mais do que inversamente proporcional.





