Síndrome crepuscular
Uma multiplicidade de índices que medem a inflação, liberados por diferentes instituições - da FGV à Federação do Comércio de São Paulo - deixou entrever, ontem, que o risco de um descontrole de preços é iminente.
Os agentes econômicos vivem a síndrome da presença crepuscular de um governo que segurou os preços apenas artificialmente e que nessa tarefa só soube usar o instrumento mais fácil, o de sempre, o da política monetária.
Tanto fez uso desse instrumento que agora não sebe o que é causa e o que é efeito, eis que ontem, economistas admitiram aumento da taxa de juros básicos (Selic) como consequência da alta dos preços. Ora, até agora, os juros é que eram elevados defensivamente para controlar os preços.
Mas os índices liberados ontem, e que a imprensa divulga hoje, vêm de diferentes fontes, têm algo em comum: todos expressam alta de preços em vários setores, inclusive o de alimentos.
O Índice de Preços no Varejo (IPV), medido pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo, registrou alta de 3,91% na primeira quadrissemana de novembro. Com a variação, a taxa acumulada chegou a 17,98% a/a. A maior pressão vem dos alimentos (+6,30%). No acumulado do Plano Real, o varejo supera a média do índice geral: 227,98% contra 158,11%.
Já os preços no atacado sofreram o impacto da alta do dólar em outubro e elevaram para 4,21% a inflação medida pelo Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGP-DI), a maior variação desde fevereiro de 1999, logo após a megadesvalorização do real, quando atingiu 4,44%.
Bem feito ----- O governo que tanto sacrificou a agricultura para conter a inflação, agora está levando o troco. O Índice de Preços no Atacado da FGV mostrou que os preços do trigo subiram 31% no mês passado. Outras expressivas elevações de preços ocorreram com açúcar cristal (25%), milho (23%), café em coco (18%), soja (14%) e ovos (12%).
Franguinho ---- Só porque o frango foi o símbolo do poder aquisitivo no Real (o que é fato), os preços do milho continuam aquecidos. Ontem atingiram R$ 31,50 por saca nos contratos deste mês na Bolsa de Mercadorias & Futuros. Os contratos de janeiro subiram para R$ 29,45 por saca. (Vaivém das Commodities/Agência Folha).
Ranking ---- Se tantos índices não bastassem, o governo moribundo ainda tem que ouvir notícias como esta divulgada ontem pela Agência Estado, de Genebra: O Brasil caiu dois pontos no ranking das economias mais competitivas do mundo e ocupa a posição de número 46 na classificação elaborada pelo Fórum Econômico Mundial. No ano passado, o País estava na 44. posição.
Greenspan -- E mais: a principal autoridade monetária do mundo, Alan Greenspan, o presidente do Federal Reserve (banco central dos Estados Unidos), só reconhece duas economias estáveis na América Latina: México e Chile.

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