A arroba a R$ 60,00
A arroba do boi gordo chegou a R$ 60,00 em pelo menos uma praça do Estado de São Paulo (Araçatuba, por acaso referencial para outras regiões), conforme a coluna de commodities deste jornal previu no início da semana, com base a) nas análises, dos técnicos da FNP e Scot Consultoria, b) no comportamento do atacado da carne que vinha repassando as altas sem dificuldade, c) nas condições de suporte dos pastos, mesmo no período mais seco, d) no deslocamento do consumo, nas camadas populares que suspendem a compras de bens duráveis, e) a pouca disponibilidade/oferta com origem nos confinamentos.
Poderia ter acrescentado mais um item: a disposição dos pecuaristas de reter o gado para forçar a alta. Mas esta atitude é efêmera e pode mudar, dependendo de uma série de variáveis, uma delas, a mais forte, relacionada com as turbulências macroeconômicas e políticas, agora em calmaria. Com o dólar mais calmo, apesar da pequena reação de ontem, o boi continua sendo um ativo real mas não o maior e único abrigo de investimento.
Evidente que os valores em torno de R$ 60,00 não são média; são preços máximos. Mas, de qualquer forma, R$ 60,00/arroba é um divisor na trajetória do mercado.
Para que a ponta produtora não se empolgue muito, é bom observar que ontem o atacado operou estável e em ''ambiente fraco'' como diz a Scot. A partir de hoje as escalas de abate estarão mais longas, e este é um indicativo de estabilidade ou de recuo de preços. A ascensão de preços ocorreu pela conjugação de uma série de variáveis; se apenas uma delas não se sustentar, o conjunto todo pode sofrer recuo, e o preço vir abaixo. Um simples feriado, como o da próxima semana, pode desestruturar tudo.
É fácil verificar - e difícil compreender - como algumas variáveis - que sustentam os preços das commodities e também o mercado acionário - perdem a consistência de uma hora para outra. Ontem, por exemplo, o dólar recuou 1,64%, fechando em R$ 3,595, numa correção do exagero ocorrido na véspera, quando um mal-entendido sobre a dívida da Prefeitura de São Paulo fez o câmbio disparar.
De repente o mercado especulativo elege outro fator altista. Mas o que vinha permeando todas os ataques especulativos - a transição política - está se desfazendo. A próxima temporada de boado fica para o pós-posse do novo governo.
Folha Rural - A Folha Rural deste sábado, amanhã, fala sobre o desespero das granjas de postura, mas também de coisas boas como a chegada da civilização aos currais de doma de cavalos. A técnica agora é que vai domar os torturadores dos animais.

mockup