Paraná dá exemplo


Uma coisa é a forma atabalhoada como o governo federal lançou a rastreabilidade; as indústrias que não remuneram a qualidade, embora se beneficiem dela; a falta de um plano mínimo que obedeça as etapas de: sanidade, qualidade, identificação e, finalmente, a rastreabilidade e a certificação. Este é o lado negativo.

Outra coisa, bem diferente, é a forma como o Paraná, através de entidades do agronegócio, se organiza e, ao estruturar o seu próprio projeto - agora já é um programa -, acaba por corrigir distorções que decorrem da concepção do Sisbov. Este é o lado positivo.

O programa foi apresentado ontem, em Londrina e Ponta Grossa, com o objetivo de informar as fases de ''implantação da rastreabilidade de bovídeos pelo sistema de defesa sanitária animal do Estado, para posterior certificação do rebanho paranaense''.

Um ponto que confere credibilidade ao programa paranaense é o imediato reconhecimento de que o produtor, de novo, ''terá um trabalho e algumas despesas a mais'', como admitem as lideranças, ''mas que será compensado'', como garantem os técnicos.

Permeiam a formatação do programa paranaense de certificação, conhecimentos
técnicos de órgãos oficiais e da iniciativa privada. O Estado e entidades como a Faep e outras que mantêm, com ajuda dos produtores, o Fundetec e o Conesa, empregaram o melhor de sua inteligência, o que por sí só, já repercute de forma positiva no mercado.

Enfim, apesar dos erros na sua difusa implantação no âmbito federal, a rastreabilidade está aí, e o estado, município ou propriedade que não aderir será atropelado pelas mudanças desses novos tempos. Está sendo colocada como ''condição indispensável'' para que o Brasil mantenha os mercados já conquistados.

É exigência que emana do consumidor, por mais que se deplore o jogo das relações comerciais entre países pobres e ricos. E ainda que se queira dissimular barreiras alfandegárias por barreiras sanitárias.

Com relação ao retorno econômico desse novo conceito, vale lembrar o pronunciamento do presidente da Faep, Ágide Meneguette, ontem, quando faz uma retrospectiva da luta pela sanidade iniciada em 1996 - e os números das exportações projetados para este ano. (Ver nesta página).

Rastreabilidade e certificação vão ajudar o pecuarista a administrar melhor a sua propriedade, pelo controle que terá sobre o rebanho, para manter atualizado o seu cadastro. Estará atendendo à exigência que forçosamente surgirá também no mercado interno. E não deve demorar muito.

mockup