Rastrear a carne
O secretário Deni Schwartz; o presidente da Faep, Ágide Meneguette; da Ocepar, João Paulo Koslovski, entre outras autoridades, lançam hoje, em Londrina (às 9 horas, no Sumatra) o modelo paranaense de rastreabilidade. (veja matéria nesta página).
A torcida é para que a Faep e demais entidades tenham mesmo êxito alcançado no controle da aftosa e outros embates em favor do agribusiness paranaense.
No caso do rastreamento há um erro a ser corrigido: os frigoríficos não estão remunerando o principal responsável pela qualidade, o produtor. E o Ministério da Agricultura (Sisbov) está sendo omisso.
O rastreamento da carne bovina que vem sendo feito no Brasil não resiste a mais superficial das inspeções por países importadores. Caso alguma missão técnica resolva acompanhar o processo, pode ocorrer das duas uma: ou o importador suspende as compras - hipótese, convenhamos, remota - ou terá de fazer vistas grossas e, então, aceitar como rastreamento esse arremedo de informações de discutível consistência técnica e difícil comprovação.
O que se faz hoje - em nome da rastreabilidade - é a identificação dos animais, depois que foram apartados em lotes para o transporte até o frigorífico.
Quando não, a identificação é feita no pátio do próprio frigorífico, o que, aliás, é mais prudente. Pelo menos, evita-se a ''farra do boi'' lá no pasto, onde o ''manejo'' acaba estressando o boi, que perde peso.
O técnico Vantuil Carneiro Sobrinho, da Brasil Certificação Ltda, disse ontem a este jornal que a identificação na propriedade corre este risco. Os animais acabam sofrendo contusões que ''são tiradas na base da faca pela inspeção''. Há perdas, além do emagrecimento natural que pode passar de 10 kg/cabeça.
Organograma - O ideal seria executar gradualmente as três etapas: sanidade, qualidade e, depois, a rastreabilidade.
A expectativa dos produtores é que o Ministério da Agricultura coordene uma política que premie a qualidade, acenando com uma remuneração diferencial.
Sem uma ação do governo neste sentido, os frigoríficos em vez de pagarem ao produtor, estão preferindo contratar certificadoras para rastrear (identificar) os lotes adquiridos.
Não podemos perder de vista que a carne brasileira é uma commodity - como observa Vantuil Carneiro - e que o produto não é remunerado pelos diferenciais de qualidade.
No entanto, empresários como próprio Vantuil consideram justo que os frigoríficos paguem difenciais pela carne que preencha todos os requisitos e exigências.
Afinal, a carne exportada por mais de US$ 3,00/kg, ou seja, mais de 45 dólares/arroba, é adquirida dos produtores por 14 dólares/arroba.

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