OSWALDO PETRIN
Abastecimento sob risco
Enquanto a indústria moageira de trigo prepara documento defendendo a redução da Tarifa Externa Comum (TEC), para reduzir o custo do trigo importado, o governo fecha as porta para uma das opções fornecedoras da matéria-prima, os Estados Unidos.
Ontem, o Ministério da Agricultura decidiu suspender temporariamente as importações de trigo de origem norte-americana.
Mas não é sem razão: a medida foi tomada após autoridades argentinas terem informado ao governo brasileiro sobre a presença de uma erva daninha, a Cirsium arvence, num carregamento que chegou à Argentina na semana passada.
A erva invasora não existe nos países do Mercosul e um dos principais perigos é que ela pode se espalhar rapidamente não apenas em campos de trigo, mas também em outras culturas.
Pouca oferta ----- A notícia da suspensão de compra de trigo dos EUA chega ao setor num momento desfavorável. A safra brasileira não alcançou os 4 milhões de toneladas projetados para o ano e deverá render no máximo 3 milhões de t. Com isso, o país continuará a importar 70% do trigo consumido.
Com preços altos no mercado externo e escassez de trigo no mercado interno, o produto está sendo cotado entre R$ 680,00 a R$ 720,00 a tonelada no atacado.
Conta-gotas ----- No mercado interno, os produtores estão parcelando as vendas. Cerca de 40% da produção nacional já foram vendidos e o restante deverá ser vendido a partir de fevereiro de 2003, depois que passar o período de safra da Argentina, que vai de dezembro a fevereiro.
Segundo o secretário de Defesa Sanitária do Ministério da Agricultura, Luiz Carlos de Oliveira, o ministério e o Departamento deAgricultura dos Estados Unidos já estão negociando mudanças no protocolo técnico de exportação de trigo para o Brasil.
Só 10% ----- O secretário declarou ainda que não há data prevista para a retomada da compra de trigo dos EUA, mas o embargo não deve durar muito tempo. O presidente do Sindustrigo (Sindicato da Indústria de Trigo do Estado de São Paulo), Ricardo Ferraz, diz que a situação preocupa. Nos últimos sete meses, 10% do trigo importado pelo Brasil foi de origem norte-americana.
Se a suspensão durar mais de 30 dias, podem ocorrer novos repasses nos preços das massas. Também podemos ficar sem trigo, pois a safra argentina só chega em dezembro, segundo o sindicato paulista, que representa maior número de
indústrias do setor.
Para o Ministério da Agricultura, porém, os estoques são suficientes e não há risco de desabastecimento.
O novo governo, se quiser aliviar a balança comercial - reduzindo um dos itens mais importantes, o da importação de trigo - terá de sentar com técnicos do setor e depois sentar com toda a cadeia produtiva, mas deve ir para a reunião com uma proposta.
A outra medida seria viabilizar a imediata adição de fécula de mandioca à farinha de trigo.





