Futurologia e desserviço



A safra 2002/2003 ainda não foi semeada por causa da seca. O atraso tira a planta do período mais apropriado para um bom desenvolvimento, podendo, por este motivo, reduzir a produtividade, o que vai refletir no volume da produção.

Não bastasse isto, o atraso compromete a safrinha - de milho ou soja - e agrava o problema de abastecimento, no caso do milho.

A agricultura mostra força no agronegócio, mas está frágilizada e indefesa no campo, por conta do clima, fator imponderável que o homem não controla.

Ao contrário da indústria de base, ou de uma montadora de carros - que trabalham sob encomendas e podem planejar suas metas com margem mínima de erros -, a agricultura interage com organismos vivos - animais, vegetais, insetos, enfim os agentes da natureza, mutáveis.

Pois é, apesar de tudo isso, já estão prevendo novo recorde. Um ousado exercício de futurologia. A previsão deve ser manchete nos jornais de hoje.

Levadas ao pé da letra, tais previsões e sua divulgação - que dão os números como certos e definitivos - não passam de um desserviço para a economia do setor.

Em primeiro lugar, porque falseiam a realidade, na medida em que sugerem uma situação privilegiada que existe em poucos setores. Em segundo, porque prejudicam a comercialização, sugerindo que há abundância, sinônimo de preços baixos.

Aí vem o pulo do gado: depois que os setores intermediários e industriais fecham contratos a preços menores - regidos pela lei da oferta e procura - aí vem a realidade da colheita, nem sempre generosa como projetam os números oficiais.

Uma análise dos prós e dos contra dessas divulgações nos remete à conclusão que esse ufanismo estéril não leva a nada a não ser dar argumentos para o mercado calibrar o tamanho da sua especulação.

A notícia: A expectativa de safra para o período 2002/2003 vai de 104,962 milhões de toneladas a 110,645 milhões de toneladas. Os números foram divulgados ontem pelo Ministério da Agricultura. Se o resultado for alcançado, a safra deverá ser até 13,9% superior à produção do período 2001/2002, que foi de 97,131 milhões de toneladas.

Há pontos discutíveis, ou que pedem, no mínimo, uma explicação didática. De repente surge uma previsão de crescimento de 14,6% para o milho.

Deu a lógica ------ O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve inalterada a taxa Selic em 21%. Não foi adotado nenhum tipo de viés, instrumento que autoriza elevar ou reduzir os juros fora das reuniões ordinárias do Copom. A decisão, tomada por unanimidade na reunião de ontem, era esperada pela maioria dos economistas.

Bezerro na Bolsa ------ A Bolsa de Mercadorias & Futuros inicia na sexta-feira as operações com bezerro no mercado futuro. Cada contrato negociará 33 bezerros machos, nelores ou anelorados, desmamados, com peso mínimo de 170 quilos. A cotação será em reais por unidade, sendo permitida a negociação para todos os meses do ano, exceto novembro, período de vacinação.

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