Oswaldo Petrin
-A agricultura, aos poucos, vai vendo que está pagando caro pela securitização da sua dívida. O relatório que o ministro da Agricultura, Arlindo Porto, vai receber hoje do Banco Central, com o total de recursos do crédito rural já liberado pelo Banco do Brasil e pelos bancos privados, revela uma situação difícil para uma parcela significativa dos produtores. Os bancos privados têm recursos de sobra para emprestar a médios e grandes produtores com taxas de 9,5% ao ano, mas não aceitam os clientes, pois as garantias reais dos agricultores já estão comprometidas com o Banco do Brasil, principalmente por causa da securitização.
-E o BB, responsável por mais de 50% dos financiamentos do crédito rural, não tem dinheiro com taxas de 9,5% para emprestar ao produtor, pois assim como vem ocorrendo nos últimos anos, o banco não está conseguindo aplicar os recursos das exigibilidades bancárias (parcela de 25% dos depósitos à vista que deve ser dirigida ao crédito rural), já que continua sobreaplicado.
-O grande problema é a dificuldade de a clientela do Banco do Brasil migrar para a rede privada, disse o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Benedito Rosa à Agência Estado. Ele lembrou que os bancos exigem clientes com liquidez e disponibilidade de garantias.
-Pelo levantamento que o BC está concluindo, na atual safra já foram liberados mais recursos que na safra passada, mas o problema está nos recursos das exigibilidades (MCR-62). Enquanto os bancos privados aplicaram R$ 173 milhões das exigibilidades em julho, o BB destinou somente R$ 99 milhões. No mesmo mês de 1996 o BB aplicou R$ 5 milhões e os bancos privados, R$ 71 milhões.
-Porto reafirmou à repórter Mariângela Heredia, da Agência Estado, que o governo vai garantir a aplicação de R$ 8,5 bilhões no custeio da safra 1997/98. Ele espera definir amanhã (24), durante reunião do grupo de coordenação de Política Agrícola, as medidas que serão tomadas para regularizar o crédito aos médios e grandes produtores. Segundo o ministro, há reclamações de dificuldades de financiamentos aos pequenos produtores do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e do Programa de Geração de Emprego e Renda (Proger).
-Do total de R$ 8,5 bilhões para o custeio, R$ 2,7 bilhões são de recursos externos, com taxa de 13,5% ao ano mais variação cambial, o que não tem atraído os produtores, que insistem no crédito com juros de 9,5% ao ano. De acordo com os técnicos que participam do grupo de Política Agrícola, entre as alternativas em estudo para que o BB retome o fluxo dos financiamentos agrícolas o mais rápido possível estão a antecipação dos recursos que deverão retornar ao banco em novembro (da chamada bolha da CPMF, que permitiu muitos empréstimos no primeiro semestre) ou ainda a autorização do BC para aplicação das exigibilidades já comprometidas.Milho/atacado





