Deslocamento de consumo



Para onde migram as economias das pessoas reservadas para Natal e Ano Novo, desta vez? Exclusivamente para as gastanças da virada do ano? A Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) dá um chocolate para quem acertar a atitude do consumidor, diante de um cenário de incertezas.

Fonte do setor disse ontem que o velho hábito nem sempre prevalece. Ou seja, quando o orçamento do consumidor não permite trocar a geladeira, os móveis ou os televisores, ele ''descarrega'' na alimentação e viagens.

Aliás, a indústria de eletrodomésticos previu ontem redução na demanda, inclusive na linha branca, que tem prioridade entre os bens de consumo duráveis. E debita a redução ao descontrole cambial, em primeiro lugar, porque muitos componentes são importados. E, em segundo luagar à alta dos juros básicos, adotada - inutilmente - para controlar a fúria do dólar.

E, ontem, enquanto diretores do Banco Central tentavam esclarecer que a decisão tomada na reunião extraordinária do Copom na segunda-feira, de elevar a Selic de 18% para 21%, foi tomada por causa da inflação - e não como uma tentativa de conter a desvalorização cambial -, eis que o dólar fechou em alta de novo (veja neste caderno).

A rolagem da dívida cambial, ontem, teria sido, na linguagem do mercado, uma demonstração de receio por parte do governo e não de estratégia, como quis sugerir.

Segundo um diretor do BC em entrevista à Agência Estado, a alta do juro é para conter o efeito do dólar na inflação, e não para conter a alta do dólar (embora isto possa ocorrer, indiretamente e a médio prazo, se a inflação é estancada, fazendo com que a desvalorização real da moeda brasileira seja maior). A desvalorização cambial não só a inflação corrente, mas também as expectativas inflacionárias.

O repasse cambial, segundo diretor do BC, leva ao aumento dos preços dos bens importados, em primeiro lugar; depois dos preços dos produtos que usam insumos importados (como o pãozinho, por causa do trigo; os bens agrícolas, por causa dos fertilizantes; os celulares, por causa dos componentes; etc); e, finalmente, dos produtos comercializáveis no exterior em geral.

Nesta última categoria estão, por exemplo, a carne, que sobe porque uma parte maior da produção nacional é exportada, reduzindo a demanda doméstica; e produtos agrícolas que competem em área cultivável com a soja, que também podem subir porque a oferta deles pode diminuir por causa do boom de exportação de soja.

Boi/alta ---- Duas empresas de consultoria, a FNP e a Scot, previram que o mercado do boi gordo continuaria firme e suas previsões estão se confirmando. A pouca oferta de animais terminados continua pressionando o preço para cima.

R$ 55,00 ----- Ontem, em São Paulo, o mercado de boi registrou negócios a R$ 55 por arroba, com pagamento para 30 dias, segundo cotações da FNP Consultoria & Comércio. No mercado futuro, o contrato deste mês registrou R$ 56, à vista, o que seria próximo de R$ 57 na comparação com o pagamento em 30 dias, conforme Agência Folha.

A alta se deve à pouca disposição dos pecuaristas de vender bois. Quanto menos vendem, mais têm a sensação de que os preços vão continuar subindo.

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