A seca chega à Bolsa


Especulações por conta dos efeitos da seca nas lavouras cafeeiras de Minas Gerais fizeram a Bolsa de Nova York fechar em alta de 690 pontos ontem. Fato raro. No mercado interno cafés finos de Minas e São Paulo encostaram nos R$ 200,00/saca.

No Paraná, cafés finos, tipo 6, bebendo duro, chegaram a R$ 165,00, exatos R$ 25,00 sobre preços de uma semana atrás.

O preço ''da seca'' fica bem acima do patamar pretendido pelo governo com os contatos de opções, cujos leilões, mês passado, ajudaram a tirar o setor da crise, projetando (garantindo) R$ 130,00/135,00 para dezembro.

Lei do mercado: alta espetacular ontem, queda violenta hoje - para que os fundos de commodities promovam a realização de lucros. É a lógica.

Mas pode ser que a Bolsa resolva sustentar a alta. Afinal, especulação à parte, as perdas são reais.

O déficit hídrico agrava um quadro de debilidade do café, que nos últimos anos sofreu forte redução nos tratos com adubo, por culpa do preço baixo, que não encorajou investimentos.

A este quadro, o comerciante Marcos Bacetti, de Londrina, acrescenta a agravante da bianuidade, que historicamente tem alternado safras de baixa e de alta produção. Em condições normais, a safra de 2003 - afetada pela seca - será a safra do ano ''não'', ou seja, a safra baixa, independente de adversidade climática.

Não há uma posição dos órgãos oficiais sobre nível de comprometimento por déficit hídrico. Os diagnósticos, até agora, vinham sido mantidos em sigilo. Pelo jeito foram divulgados num bom momento em que a alta seria reforçada pelo descontrole do câmbio.

Limousin ---- Na próxima sexta-feira, às 20 horas, no Recinto José Garcia Molina, o 3º Leilão Limousin Diamante. Ontem ocorreu a entrada dos animais; hoje, a pesagem e data-base. O leilão faz parte da 1 Expo Show Diamante 2002, de 15 a 19 de outubro.

Limousin 2 ---- O evento é organizado pelo grupo Diamante, formado
pelos melhores criadores do Paraná. Segundo Sérgio Mendes, da Rural Business Leilões, é a maior mostra de gado da raça Limousin; está superando a mostra nacinal da raça, realizada em Uberlândia em agosto. Em pista, na sexta-feira, 220 animais. Na abertura do leilão serão ofertados 200 animais meio-sague para recria e engorda.

Boi/alta ---- As empresas de análise de mercado voltaram a prever ontem alta para o boi gordo em consequência da pouca oferta de animais. Em São Paulo, o valor à vista do indicador do boi gordo Esalq/BM&F fechou a R$ 52,97/arroba, alta de 0,34% no dia. A prazo, a cotação ficou em R$ 53,80/arroba, estável.

Boi/alta 2 ------ O analista de mercado, José Vicente Ferraz, disse ontem que as ofertas de gado para abate ''não devem aumentar no curto prazo, devido a uma série de fatores que estão se somando''.

Ele cita a perspectiva de alta do preço da arroba, ''que faz com que o pecuarista retenha o gado à espera das condições climáticas desfavoráveis, que devem atrasar a chegada da oferta de gado de pasto; a instabilidade econômica e o próprio fato de que estamos em plena entressafra em que a oferta é menor''. Evitem ofertar agora, portanto.

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