OSWALDO PETRIN
O País sem liquidez
Premido pela alta do dólar e sucessivas correções nas metas de inflação, o governo, atabalhoado, tenta cercar a crise como pode. Recorre, de novo, a instrumentos de política monetária, no caso o aumento dos juros, para evitar o pior e, ao mesmo tempo, garantir sobrevida para o seu programa econômico.
Com juros altos (aumento da taxa Selic, ontem, foi de 18 para 21% ao ano), o Conselho de Política Monetária (Copom) entende estar inibindo a compra especulativa de dólar. No entanto, provoca reação em cadeia nas taxas crédito ao consumidor. Afinal, a medida não é seletiva; não há como direcioná-la apenas para aqueles segmentos que se aproveitam da turbulência para especular. Ou para abrigar-se contra a especulação.
Logo, medidas como a de ontem, estarão frustrando o consumo, reduzindo a liquidez do comércio, podando as chances de aumento de emprego, timidamente acenadas para este final de ano.
Agora, é defensável que lojas aumentem a taxa de juros (já elevados) no crediário e reduzam o prazo de amortização do financiamento de eletrodomésticos, veículos etc. Afinal este foi o sinal emitido ontem pela reunião extraordinária do Copom.
Decididamente, emprego, renda, consumo e liquidez -- porque são incompatíveis com juros altos -- não são (não foram) o forte da equipe econômica.
A opção de ontem faz aumentar a percepção de que tudo é para não deixar a economia desandar de vez, antes da transição de governo. É emergencial e funciona como antídoto à rolagem da dívida cambial esta semana.
Tanto sacrifício imposto à atividade produtiva não compensará pois a contenção do dólar depende de outras variáveis, mais eficazes, e de longo prazo.
Já a tentativa de controlá-lo via juros, expõe todo o risco e fragilidade da economia.
Sem falar que ignoraram uma atenuante, a de que embora aumente a inflação, o câmbio alto, beneficia a balança comercial, aliás num bom momento das exportações. E com todos os cálculos projetando superávit da balança no final do ano.
No fundo mesmo, a medida tomada em reunião extraordinária do Copom, não cumpre suas funções. É tímida demais para conter o dólar, mas é suficientemente alta para onerar a dívida pública e tolher o crescimento econômico.
Commodities ----- A decisão de ontem do Conselho de Política Monetária (Copom) de elevar os juros básicos bancários não alterou o mercado de commodities. A soja, por exemplo, está atrelada ao dólar e a redução de estoques. O boi gordo se orienta pela pouca oferta e aumento da demanda.
Em janeiro ----- A maioria dos traders voltou sua atenção ontem para contratos com vencimento em janeiro de 2003, que tem suporte primário em US$ 5,27 e secundário em US$ 5,27/bushel, e cujo nível de resistência está localizado ao redor de US$ 5,40/bushel. Os contratos para janeiro no pregão de ontem foram cotados a US$ 5,3725/bushel (US$ 11,84/sc).
Clima no Brasil ---- O analista de mercado, Adriano Timossi, disse ontem que os problemas climáticos do Brasil já começam a chamar a atenção dos players do mercado d o milho e soja. E que o relatório da Commodity Futures Trading Commission (CFTC) aponta em direção de um atraso no plantio, o que é válido apenas no caso do milho. Veja mais na página 2, Commodities.





