OSWALDO PETRIN
Omelete, com
muita quebra
Oito anos atrás, início do Plano Real, o Paraná tinha 370 granjas de aves de postura e igual número de famílias - e uma média de três empregados em cada granja - vivendo da atividade. O plantel era 7,5 milhões de aves. Paraná era o 2º maior produtor de ovos, perdendo para de São Paulo.
Atualmente, o Paraná tem 117 produtores e um plantel de 4,9 milhões de aves. A maior granja no Paraná tem, hoje, no máximo 800 mil aves, número que fica um pouco acima da média de todas as granjas daquela época.
Além de amargar um longo período em queda, atualmente as granjas de postura enfrentam sua pior crise dos últimos anos, com a explosão do dólar e do preço da ração.
Uma caixa de ovos (30 dúzias) custa hoje para o granjeiro R$ 29,00 mais o preço da embalagem - caixinhas de uma dúzia que têm preço unitário de 20 centavos e eleva em R$ 6,00 o custo da embalagem por caixa. A granja não consegue receber mais de R$ 28,00/30,00 pela caixa.
Como é impossível fazer omelete sem quebrar os ovos, muitas granjas estão suspendendo as atividades.
Exatos 86% dos componentes da ração são cotados em dólar (que ontem voltou a explodir). Vitaminas, aminoácidos, promotores de crescimento, também.
O ovo é vendido em real.
O presidente da Apavi, Rui Harada, manda reduzir a produção. Em 25 anos no ramo de insumos avícolas, João Carlos Danielli, de Nova Esperança, nunca viu crise igual.
O pessoal está com saudade do tempo da CFP, ou da própria Conab, quando colocava seus estoques de milho no mercado.
Estoque? Que estoque?
Boi/alta ----- A Scot Consultoria manteve, ontem, o preço de R$ 51,00 (US$ 13,0) para a arroba do boi no Paraná. Nas praças de pecuária como Paranavaí, Umuarama, Maringá e Guarapuava, o preço variou a partir de R$ 49,50.
Cotação da BM&F para novembro: R$ 55,65.
Boi/feriado ----- O mercado está tão ativo, e as escalas tão curtas, que os analistas prevêem alta por conta do feriado do dia 12 de outubro (N.S.Aparecida), quando os abates estarão suspensos.
Enxuto ----- Tanto para a Scot Consultoria, como para a FNP, isto pode levar à ''novas correções positivas'' no atacado, que já vem trabalhando enxuto. Além da reduzida oferta de animais terminados, o desempenho do atacado vem ajudando a manter firme o preço do boi gordo.
Até dezembro ---- Os pecuaristas estão conseguindo o que queriam: manter o preço em alta nos meses de outubro e novembro, até ''emendar'' com o mês de dezembro, tradicionalmente aquecido devido às festas de Natal e virada do ano. Este ano ainda tem o fator eleição e centenas, milhares de comemorações.
E mais ----- Este Natal será (mais) pobre em termos de compra de bens duráveis. Quando isto ocorre os especialistas prevêem o chamado deslocamento de consumo para gastos de menor valor. Invariavelmente, a alimentação é a substituta.





