Em tempo de crise,
varejo dá as cartas



A recessão e a baixa densidade da demanda criaram dois momentos pouco comuns
nas relações entre fornecedores e varejo, neste segundo semestre, com vistas às festas da virada do ano.

O primeiro momento foi no final de julho, quando, no prognóstico para o segundo semestres, as indústrias de bens de consumo duráveis e semi-duráveis já estava embutindo uma retração do consumidor - e uma postura defensiva do varejo - que se manifestava através da suspensão ou adiamento de pedidos.

Os fornecedores assimilaram o impacto. Mas não tentaram reverter o cenário através de uma redução dos juros ou ampliação dos prazos.

Parecia superado esse gargalo, decorrente de uma política econômica tipo freio de mão puxado. Mas aí a indústria resolveu ceder e o varejo, então, passa a contar aparente vantagem. Conforme a Agência Folha, ontem, para colocar os lançamentos nas prateleiras no final do ano, fabricantes passaram a fazer negociações de preço com o varejo ''de trás para a frente''.

Assim, em vez de levar as tabelas de reajustes embaixo do braço - e conseguir taxas de aumento - alguns fabricantes já determinaram os preços dos lançamentos com base nos valores das mercadorias antigas. E desistiram de fixar agora uma taxa de reajuste para os produtos que serão lançados no Natal.

''A idéia é definir com o varejo por quanto ele consegue vender bem o produto. E comparar com o valor comercializado por outras marcas. É o que se chama de negociar ''de trás para a frente''', diz João Cláudio Guetter, vice-presidente da área de portáteis da Electrolux.

Boi/alta ---- As duas principais empresas de consultoria estão apostando num mercado firme para o boi. Ela apontam a determinação dos pecuaristas paulistas em reter o produto e a curta escala de abate nos frigoríficos como fator altista. Enquanto isso, o mercado atacadista da carne vem operando em alta esta semana. (Fontes: FNP e Scot)

Indicador ----- Ontem, o valor à vista do indicador do boi gordo Esalq/BM&F fechou a R$ 52,08/arroba, alta de 0,29% no dia. A prazo, a cotação ficou em R$ 52,93/arroba, alta de 0,21%. O preço da reposição (boi magro, garrote, bezerros e desmama) tem-se mantido em ascensão. (Fonte: Agência Estado)

Boi/eleição ----- A oferta de boi é pequena porque os pecuaristas aguardam a decisão sobre as eleições presidenciais. Segundo um deles, se Serra for o vencedor, a oferta aumenta, e os preços caem. Se Lula vencer, o mercado continua travado porque os pecuaristas estão relutantes em vender boi devido às incertezas na economia, acrescentou. (Fonte: Agência Folha).

Veja preços do boi na página 2 (Commodities).

Argentina/soja ----- Os argentinos guardam parte da produção de soja para comercializar em 2003. Eles têm 10,5 milhões de toneladas, e o adiamento das vendas se deve a uma proteção contra a desvalorização do peso e a uma expectativa de preços melhores em 2003. (Fonte: MPrado Consultoria).

Consulta ---- O Ministério da Agricultura publicou no Diário Oficial da União portaria nº 51 submetendo à consulta pública, por 60 dias, o projeto que regulamenta os procedimentos para a obtenção do Registro Especial Temporário (RET) para produtos técnicos, pré-misturas, agrotóxicos e afins, destinados à pesquisa e experimentação.

Edereço para quem quiser se pronunciar: [email protected].

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