OSWALDO PETRIN
A economia da fécula
A adição do amido de mandioca à farinha de trigo pode resultar, este ano, numa economia de divisas, nada desprezível, de 50 milhões de dólares. A indústria de derivados da mandioca deve vender à indústria de panificação cerca de 200 mil toneladas de amido. No ano passado foram 150 mil t de amido de mandioca que a indústria de panificação adicionou a biscoitos e outros itens.
Se a indústria moageira não faz, a panificadora da esquina adiciona e diz que a freguesia aprova.
O raciocínio da Associação Brasileira da Indústria de Amido de Mandioca (conforme dados enviados segunda-feira a esta coluna, através da sua assessoria de imprensa) é o seguinte: se o amido não tivesse entrado nesse mercado, certamente não haveria esta economia: dólares que deixaram de sair do país para compra de trigo.
As importações de trigo custam para o Brasil cerca de US$ 1 bilhão.
A prova de que a mistura é eficaz e tem aceitação entre os consumidores, está também nas vendas do Horizonte Mix, um pré-mix (com 80% de farinha de trigo e 20% de fécula de mandioca), do moinho Agrícola Horizonte, com sede em Marechal Cândido Rondon, destinado à fabricação de pão francês, que já tem mais de duzentos compradores (padarias do Paraná e Mato Grosso do Sul). A venda do pré-mix representa hoje 10% do faturamento da Agrícola Horizonte.
Não dá para ignorar essa evidência. Os setores envolvidos vão ter de sentar para discutir a forma de operacionalizar a mistura, independente dos inúmeros projetos de lei que estão sendo encaminhados e têm respaldo para aprovação.
Soja/Chicago ----- Bolsa recuou ontem: contratos para novembro fecharam em US$ 5,42/bushel (US$ 11,95/sc de 60 kg). Mercado interno também cedeu (veja indicadores na página 2 deste caderno). O fator de baixa foi a colheita norte-americana. Mesmo com as perdas já conhecidas ela sempre pressiona o mercado.
Fundos ----- Especuladores também contribuíram. As cotações futuras do complexo fecharam em queda face às liquidações de fundos de investimentos.
Repiques ----- O analista da FNP, Adriano José Timossi - que dias atrás previu este comportamento do mercado na Chicago Board of Trade -, observou: Não descartamos alguns repiques de alta por conta de especulações sobre o clima. Outros fatores poderiam ser encontrados nos números do Usda, relativos à produtividade e à oferta e demanda mundiais e, por último, nas especulações sobre a demanda chinesa.
Mais informações: http://www.fnp.com.br - [email protected].
Exportação ---- O ritmo das exportações do setor de agronegócio se manteve aquecido no mês passado, conforme dados da Siscomex divulgados ontem pela Agência Folha. Até o café voltou a registrar evolução positiva.
Receita ---- A soja obteve as maiores receitas em setembro. Pelos dados do Siscomex, as receitas atingiram US$ 1,39 bilhão para o grãos, o farelo e o óleo. Essas receitas superam em 142% as de setembro de 2001.





