OSWALDO PETRIN
Perdendo o fôlego
A partir de hoje, 1º de outubro, quem ainda não negociou a soja tem um mês, no máximo, para obter bons preços. Em novembro - às vezes antes - o mercado começa a perder fôlego e vários fatores concorrem para a queda de preços.
1) O exportador costuma recuar em novembro. 2) A safra norte-americana, embora reduzida, exerce influência baixista sobre a Bolsa de Chicago. 3) No mercado interno, a indústria local pára de comprar - a pouca oferta não compensa manter o equipamento em operação; é tempo de revisão e limpeza no parque industrial. 4) O câmbio também deixa de contribuir; espera-se um dólar mais comportado após as eleições. (Ontem foi uma loucura).
Essas variáveis pravelecem em condições normais. Podem haver exceções e acontecer, por exemplo, de o Departamento de Agricultura dos EUA (Usda) rever a safra norte-americana e apontar aumento da queda - um fator altista. Outro: a China pode entrar comprando além do previsto (outro fator altista), embora o mercado já trabalhe com essa hipótese.
Enfim, há fatores capazes de contrapor a tendência de baixa, mas não são mais fortes que o recesso do mercado.
Sobrevida ---- O mercado interno já apresenta um quadro de regionalização de preços. Em Santa Catarina, o quadro comprador tem uma sobrevida em novembro por parte da indústria de ração da avicultura de corte e suinocultura.
Consultado se concorda com essa tendência, o analista de mercado da FNP, Adriano José Timossi, fez, porém, uma a seguinte ressalva: caminhamos para fechar o ano com um dos estoques mais baixos dos últimos anos, comparado ao de 1997/1998.
Outro fator divergente é que o estoque remanescente da safra 2001/2002 é muito baixo, entre 5% e 6% da safra nacional. Considere-se ainda que entre 30% e 40% da safra 2002/03 já comercializado antecipadamente.
Mas o cenário pende mesmo para um recuo, com a volta dos preços ao patamar de US$ 5/bushel, ou um pouco mais. Mas dificilmente (após outubro) serão repetidos valores como os US$ 5,46/bushel (US$ 12,04/sc) de ontem. (Veja coluna de commodities, página 2).
Enfim, não há razão apenas mercadológica que sustente, por exemplo, uma valorização de 40% em um mês (como exemplo a soja vendida em Cascavel, que atingiu ontem R$ 47,50, segundo a FNP). A alta média acumulada em 12 meses no Porto é de 55%.
O trigo explode ---- Pelas cotações da Bolsa de Mercadorias de Londrina (BCML), o trigo começou a semana em alta, chegando a R$ 39,50/saca, ontem, em Maringá. E um cálculo da Agência Folha, apontou aumento no preço (recebido pelo produtor) de 127% sobre os preços pagos em setembro do ano passado.
Indústria não perdoa ---- Mas a indústria não deixa por menos. Os reajustes dos derivados de trigo, este ano, chegam a 45% na média. Alguns itens tiveram autmentos bem maiores. O motivo é a alta do produto no mercado mundial e o câmbio.
Fécula ---- Se a indústria da mandioca não aproveitar esse momento para aprovar a adição da fécula à farinha, não fará nunca mais. Tem município fazendo por conta.





