OSWALDO PETRIN
Soja no pasto
Na história do êxodo rural, que começou a se intensificar nos anos 70, costumava-se dizer o seguinte: ''Sai o homem e entra o boi'', expressando a substituição da agricultura de grãos pela pecuária.
No entanto, no Rio Grande do Sul, esta semana, está ocorrendo o oposto. Não que hajam políticas públicas incentivando a volta do homem ao campo. É que, há fazendeiros arando os pastos para plantar soja, aproveitando o bom momento do mercado da commodity.
Tanto que, segundo analistas do mercado de carne, as ofertas de boi estão muito fracas em todo o País, ''com exceção do RS onde muitos pecuaristas de pastos de inverno estão negociando rapidamente suas boiadas para liberar o terreno para o plantio de soja''.
Mercado à parte, esta realidade, de fato, prevalece na região do arenito, Noroeste do Paraná.
E hoje, 26, em Maringá, o 14º Congresso dos Engenheiros Agrônomos do Paraná discute exatamente a sustentabilidade da ocupação do arentino pela agricultura, no projeto Integração Lavoura Pecuária.
Sobre o mercado de boi: A curta escala de abate que mantém firme o preço da arroba está ocorrendo desde agosto, como este jornal tem divulgado na coluna ''Commodities'' da página 2.
Sindicarne --- O presidente-executivo do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná (Sindicarne), Péricles P. Salazar, enviou carta a esta coluna, ontem, contestando declarações dos pecuaristas Milton Casarolli e Narciso Pissinatti, que afirmam ''haver aventureiros'' no mercado de compra e venda de gado.
''Mais uma vez, agressões gratuitas são assacadas contra a indústria frigorífica. É certo que os autores não especificam quais são os aventureiros. Preferiram a generalização. E quando generalizam atingem também as indústrias sérias e idôneas que trabalham aqui no Paraná e em outras partes do País'', diz o presidente do Sindicarne.
Pressegue Salazar: ''Aventureiros existem em todos os setores, inclusive entre os pecuaristas. A crítica é muito mais construtiva quando se oferecem soluções para problemas complexos. Na condição de representantes de entidades de classe, o próprio exercício do cargo pela responsabilidade da representação implica em tomar atitudes e fazer declarações sem paixão, à luz da razão que supostamente deve fazer parte do comportamento desses dirigentes''.
''A indústria frigorífica organizada do Paraná não teme a concorrência. Apenas apela para que declarações genéricas e ofernsivas sejam postas de lado, privilegiando o debate construtivo''.
Nota -- O pecuarista Milton Casarolli (e não o sr. Narciso Pissinatti), fez considerações sobre o mercado de boi gordo, em resposta à pergunta deste repórter - se ainda há calote na comercialização de gado. Na verdade, seu objetivo principal não era, naquele momento, o de criticar o setor, como acabou fazendo. Casarolli só pretendia anunciar uma reunião com dirigentes de uma indústria que pretende instalar escritório de compras no Paraná.
Ocepar --- Dia 4 de outubro, às 13h30, no auditório da Ocepar, serão realizadas as palestras: 1) ''Oportunidades do mercado internacional para produtos do agronegócio'', por José Roberto Mendonça de Barros, 2) ''A experiência da Sadia no mercado internacional'', por Luis F. Furlan, presidente da Sadia, 3) Visita técnica à Nova Zelândia e Austrália, por João Paulo Koslovski, presidente do Sistema Ocepar.





