Dólar não sustenta
o café



Dólar não dá sustentação ao café mas mantém alta a cotação da soja, em dia agitado para o mercado de commodities - por razões técnicas e mercadológicas -, e muito mais agitado para o mercado acionário, só que por razões políticas e especulativas.

Nem a alta do dólar (+3,57%, R$ 3,57) conseguiu sustentar o preço do café no mercado interno. No Paraná, cafés do tipo 6, bebendo duro, ficaram em torno de R$ 117,00. Esse mesmo tipo, na segunda-feira, foi negociado por R$ 135,00 nas praças de Apucarana, Londrina e Maringá. Quando o mercado está ofertado, as quedas na Bolsa de Nova York exercem influência mais nítida sobre os preços internos. Nova York fechou em baixa (a 5 consecutiva, desde terça-feira) para contratos de dezembro.

A volta da oferta dos contratos de opções - leilão no próximo dia 20 - pode contribuir para nova reação de preços. Mas o mercado não está certo disso.

Com a soja a situação foi bem diferente. As cotações da soja chegaram a subir até 8,8% no mercado disponível, como na praça de Cascavel, onde indústrias e coretoras chegaram a oferecer R$ 37,00/sc, sem interesse vendedor.

Mas soja é soja. É movida a dólar e, quase sempre, é guiada pela Chicago Board of Trade, a Bolsa de Chicago.

E a Bolsa fechou em alta. Pequena alta. Os contratos com vencimento em setembro encerraram o pregão a US$ 5,60/bushel (US$ 12,35/sc de 60 kg). Os contratos de novembro, mês de pico de oferta da safra estadunidense, fecharam a US$ 5,49/bushel (US$ 12,10/sc de 60 kg). O quadro altista se deve ao interesse comprador, sustentado em parte por especulações climáticas e pelo relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos sobre o progresso das lavouras.

A propósito, da alta de ontem, o analista de mercado da FNP, fez ontem a seguinte consideração: ''recomendamos participar parceladamente do mercado até meados de outubro, quando a safra dos Estados Unidos começará a pressionar o mercado internacional, mesmo com a quebra''.

Se a colheita da soja norte-americana pode provocar baixa no preço da oleaginosa no Brasil, é preciso considerar fatores que tendem a contrapor esta variável. Exemplo: 1) aumento do risco Brasil, 2) iminente ataque dos EUA ao Iraque mesmo sem respaldo da Onu, 3) O preço do petróleo, ontem em Nova York, superou os US$ 30 o barril. No caso do risco Brasil, esse conceito despencou do terceiro para o décimo-terceiro lugar no Índice de Confiança do Investimento Direto Estrangeiro, montado pela consultoria norte-americana AT Kearney com executivos das mil maiores empresas do mundo.

Supermercados --- Os supermercados (leia-se: o varejo que avilta os preços de quem produz para armar o chamariz - uma espécie de armadilha - para quem compra) acham que vão vender menos este ano, com um crescimento de apenas 1%. Apesar disso, até agosto, os maiores supermercados acumulam uma perda real de 0,78% no faturamento sobre igual período do ano passado. No mês passado, houve uma elevação de 5,04% em relação a agosto de 2001. Na comparação com julho, a alta foi de 5,53%.

mockup