OSWALDO PETRIN
O boom no silo
Os bons preços da soja (novo recorde ontem no Porto de Paranaguá: R$ 44,50/saca) distribuem renda para outros setores e subsetores, como na indústria de máquinas, na de peças de reposição e até no segmento de pneumáticos.
Mas é na indústria do pós-colheita que a liquidez da soja impacta mais. Os fabricantes de silos do Norte do Paraná (no eixo Londrina-Maringá há pelo menos 18 deles), têm aumentado sua produção para atender à demanda do próprio estado e, em especial, a expansão da fronteira da soja em Mato Grosso e Goiás.
Com eles, crescem também os fornecedores de chapas de aço e insumos em geral usados na montagem de silos. ''O bom mercado da soja já reflete na Usiminas e na Companhia Siderúrgica Nacional'' - resume um industrial do setor.
E, se a oferta de emprego não tem propriamente aumentado no setor, também não tem ocorrido dispensa de trabalhadores na chamada ''entressafra'' da indústria.
Algumas indústrias não têm ''entressafra'' desde o ano passado. É o caso da indústria de tratamento de grãos - para esmagamento, os grãos industriais, e para sementes.
A Getmaq, de Londrina, fabrica equipamentos para um setor bem específico: o de tratamento de sementes. Nova, a empresa utiliza tecnologia de ponta e constroi mediante encomendas.
A Getmaq surgiu quando a soja prenunciava sua temporada positiva, três anos atrás. Houve momentos em que o mercado da soja em grão hesitou, mas o setor sementeiro não; este manteve sua trajetória de crescimento em quantidade e qualidade. A semente tem sido levada a sério.
Em três anos, o faturamento pulou de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, meta deste ano, praticamente garantida neste mês. O número de técnicos passa de 5 para 13 até dezembro.
Natanael da Silva, um dos sócios da empresa, não tem dúvida que a expansão deve ser atribuída à boa comercialização da soja.
''Modernizamos, por exemplo, ao tirarmos a polia e a correia do elevador, substituídas por motoredutores'' - observa Natanael da Silva. O equipamento ficou mais ágil e econômico.
A paranaense, de Londrina, Getmaq chegou a exportar equipamento para o setor cafeeiro do Vietnã.
Outro termômetro do crescimento da economia da soja é a GM Máquinas & Equipamentos, de Londrina, que atua no meio-campo entre a indústria de base (fabricação de torno, plaina, prensas, exentricas e hidráulicas) e a agroindústria de extração de óleo. GM Máquinas é fornecedora das indústrias metalúrgica, de plástico e alumínio.
Seu diretor, o empresário Wilson José Massaro, está há 30 anos no ramo. Foram poucos, segundo eles, os bons períodos do mercado agrícola como agora.
Para Massaro, os setores ligados à soja vivem momentos de euforia. Mas, independente disso, a indústria construtora de silos, por exemplo, é um setor que exporta e ganha mercado no cerrado - fato que Massaro atribui à competência dos empresários seus técnicos.
Dólar/trigo --- A alta de 3,4% (R$ 3,355) ontem na cotação do dólar agitou o mercado de lote de trigo negociado a até R$ 580/tonelada. O preço pago ao produtor esteve a R$ 30,50/saca.
Estoque/álcool --- O Conselho Monetário Nacional (CMN) deve aprovar hoje a liberação de R$ 500 milhões para estocagem de até 1 bilhão de litros de álcool. A outra cria uma linha de financiamento para retenção de matrizes de suínos, a fim de evitar que sejam abatidas.





