OSWALDO PETRIN
Rastreabilidade. O
Brasil entrou nessa
Aumenta o descontentamento dos produtores com a rastreabilidade da carne. A idéia chegou ao campo em cima da hora e de forma difusa. Falta um órgão preferencialmente do governo para arbitrar as ações; falta um gerente para pôr em prática esse projeto.
Carlos Viacava, que fala pelos criadores de nelore, acha que a idéia pode cair no descrédito, se os frigoríficos não assumirem o seu papel, inclusive os custos.
Já o analista José Vicente Ferraz, da FNP Consultoria & Comércio, coloca a questão da seguinte forma: a reastreabilidade é uma exigência da União Européia, que não tem lógica para os padrões brasileiros.
Funciona bem, segundo Ferraz, para países como Itália e França, que têm infra-estrutura quase perfeita. ''Para um país do tamanho do Brasil, pôr isto em prática, nessas condições que estão aí, é difícil''.
A rastreabilidade é necessária em países que têm a Encafalopatia espongiforme (vaca louca). Decididamente não é nosso caso.
O Brasil tem o Pantanal e boi selvagem. Falar em reastreabilidade é meio complicado. Mas entraram (técnicos do Ministério da Agricultura) na onda da UE sem fazer o necessário questionamento - resume Vicente Ferraz.
Da forma com está, produtores têm todo direito de interpretar a rastreabilidade como medida de restrição ao produto brasileiro.
Os importadores criaram restrições alfandegárias disfarçadas de barreira sanitária. Este é um caso explícito.
A medida é do interesse dos governos e alguns importadores. Mas os consumidores mesmo - europeus ou americanos - estão alheios a isto. E o consumidor interno, então, está desligado, e não sabe do que se trata.
Vicente Ferraz acha que se a medida partisse da base, que é o consumidor, este estaria disposto a pagar por esta qualidade. Se ninguém quer assumir o custo é porque não é possível transferí-lo à ponta consumidora, que não está disposta a pagar mais pelo benefício.
Outra crítica de Ferraz: as autoridades brasileiras se precipitaram em pôr em prática a reastreabilidade. A UE deu um prazo que poderia ser negociado.
Interesses --- Mas aí entrou também o interesse de empresas que se habilitaram a fazer o rastreamento.
Foi uma conjugação de interesses. O interesse do produtor, porém, não teve peso algum.
Os ecológicos --- Vicente Ferraz faz uma comparação com a onda dos produtos ''ecologicamente corretos'', dez anos atrás.
Logo após a ECO 92, no Rio de Janeiro, o mercado passou a receber produtos ''ecologicamente corretos'', ou ''produtos verdes'': sabão, detergentes, uma gama enorme de alimentos.
Mas o consumidor, apesar da onda verde, não estava disposto a pagar o diferencial de preços. E poucos desses itens permaneceram. Hoje na linguagem do consumidor o que conta são os diet e/ou light.
Trigo/alta --- Reportagem da Folha Rural no próximo sábado vai fazer um balanço sobre a safra de trigo. Em relação ao preço pago ao produtor, houve uma evolução fantástica: 75% sobre os preços de setembro do ano passado e 111% sobre a média de preços do ano passado.





